quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

A Liberdade do Cristão, de Martinho Lutero

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O livro “A Liberdade do Cristão” foi escrito por Martinho Lutero, em 1520, com o objetivo de apresentar a doutrina bíblica da “justificação pela fé” ao papa. Lutero faz isso de forma clara e magistral, tornando esse livro um clássico que todo cristão deveria ler.

Os trechos publicados aqui demonstram porque as boas obras não podem ser a causa da justificação, sendo, muito pelo contrário, sua conseqüência natural e espontânea. Desejo que, através dessa rápida leitura, muitos possam ser esclarecidos quanto a esse tema fundamental para nossa fé, podendo também sentir o “gostinho” dessa maravilhosa obra.

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23º. – É por isso que as duas fórmulas são verdadeiras: “Obras boas e justas jamais fazem um homem bom e justo, mas um homem bom e justo faz boas obras. – Obras más não fazem um homem mau, mas um homem mau faz más obras.” Desse modo, o homem deve ser sempre bom e justo previamente, antes de realizar qualquer boa obra e as boas obras são subseqüentes e provêm de um homem justo e bom. É exatamente como Cristo diz (Evangelho de Mateus, VII, 18): “Uma árvore má não dá bons frutos. Uma árvore boa nunca dá maus frutos.” Ora, é evidente que não são os frutos que dão a árvore e as árvores não crescem sobre os frutos, ao contrário, são as árvores que dão os frutos e os frutos crescem nas árvores. Ora, da mesma forma, que as árvores devem existir antes dos frutos e que os frutos não fazem as árvores, nem as boas nem as más, mas que são as árvores que fazem os frutos, de igual modo o homem, como pessoa, deve antes ser bom ou mau, antes de fazer obras boas ou más. E não são suas obras que o tornam bom ou mau, mas é ele que faz boas ou más obras. Observamos a mesma coisa em todas as tarefas. Uma casa boa ou má não faz um bom ou mau carpinteiro, mas um bom ou um mau carpinteiro faz uma casa boa ou má; não é a obra que faz o mestre, tal como ela é, pelo contrário, tal mestre tal obra. Ocorre o mesmo com as obras humanas: se o homem vive na fé ou na incredulidade, suas obras serão boas ou más, e não inversamente; segundo suas obras, na mesma medida será justo ou crente; as obras, da mesma forma que não dão a fé, de igual modo não justificam; mas a fé, da mesma forma que justifica, de igual modo faz boas obras. Como as obras não justificam ninguém e como o homem deve ser justo antes de realizar as obras, é evidente que é unicamente a fé que, por puro favor, graças a Cristo e à sua palavra, basta para justificar a pessoa, para assegurar sua salvação e que nenhuma obra, nenhum mandamento é necessário ao cristão para sua salvação, mas está liberado de todos os mandamentos e faz tudo gratuitamente, por um ato de pura liberdade, sem procurar com isso, de modo algum, seu interesse ou sua felicidade – pois atingiu um grau suficiente de felicidade por meio de sua fé e da graça de Deus – mas para o único fim de agradar dessa forma a Deus.

24º. – Em contrapartida, aquele que não tem fé não pode tirar proveito de nenhuma boa obra para se justificar e assegurar sua salvação. Em contrapartida, não é nenhuma de suas obras más que o tornam mau nem o condena, mas sua falta de fé que torna a pessoa e a árvore má e que faz obras más e malditas. Por isso, para se tornar justo ou mau, não se começa pelas obras, mas pela fé. Segundo a palavra do sábio (Livro de Ben Sirac, X, 12-13)*: “A infidelidade a Deus e a falta de fé são o começo de todo pecado.” Esta é também a doutrina de Cristo que ensina que não se deve começar pelas obras, mas pela fé, e que declara (Evangelho de Mateus, XII, 33): “Ou fazem com que a árvore seja boa e seus frutos serão bons, ou fazem com que a árvore seja má e seus frutos serão maus”, o que equivale a dizer: aquele que quer ter bons frutos deve começar primeiramente pela árvore e deixá-la em boas condições; assim, quem quer fazer boas obras não deve começar pelas obras, mas pela pessoa que deve fazer as obras. Mas nada tornará boa a pessoa, a não ser unicamente a fé; e nada a tornará má, a não ser unicamente a falta de fé. Isso é realmente verdade: as obras assinalam exteriormente quem é justo e quem é mau, como o próprio Cristo diz (Evangelho de Mateus, VII, 20): “É de acordo com seus frutos que vocês os reconhecerão.” Mas tudo isso não passa de aspecto exterior; essa aparência, contudo, induz em erro muitas pessoas que escrevem e ensinam que é necessário realizar boas obras para se justificar, sem nunca mencionar a fé; esses homens seguem seu caminho, como um cego conduzindo outro, se atormentam com uma multidão de boas obras, sem jamais conseguir se tornar verdadeiramente justos. É o que diz deles São Paulo (2ª Epístola a Timóteo, III, 5): “Eles têm a aparência da piedade sem a ter na realidade e estudam sem cessar, nunca chegando, contudo, a conhecer a verdadeira piedade.” Quem não quiser errar com esses cegos deve ver mais longe que as obras, os mandamentos ou a doutrina das obras. Deverá, antes de tudo, considerar a pessoa e ver como ela pode se justificar. Não se justificará e não se salvará pelos mandamentos e pelas obras, mas pela palavra de Deus (isto é, pela promessa de sua graça) e pela fé, a fim de que a honra de Deus permaneça intacta, porquanto ele não nos salva por nossas obras, mas gratuitamente pela graça de sua palavra e por um ato de pura misericórdia.

* O Livro de Ben Sirac, citado por Lutero, é o mesmo apócrifo Eclesiástico, incluído na Bíblia Católica. Nessa época Lutero ainda seguia a Bíblia Católica.

Fonte: A Liberdade do Cristão, Martinho Lutero, Editora Escala, págs.39-41

sábado, 8 de dezembro de 2007

Trechos da Carta a Diogneto

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Estou publicando abaixo trechos da Carta a Diogneto. Esta carta foi escrita no início do século II, provavelmente por Quadrato, um cristão apologista muito próximo da era apostólica, ao imperador romano Hélio Adriano. Esta carta é uma apologia (defesa) da fé cristã diante do imperador, refutando primeiramente a idolatria pagã e o culto judaico, e apresentando logo após as características desta nova religião, o cristianismo.

Os três capítulos publicados aqui contém uma descrição perfeita, de rara beleza, de como os cristãos daquele tempo eram, e de como deveriam ser nos nossos dias. Que essas palavras, tão antigas e tão atuais, possam servir para nossa edificação e nos levem a refletir sobre nossas próprias vidas espirituais.

Capítulo 5 - O mistério cristão

Os cristãos, de fato, não se distinguem dos outros homens, nem por sua terra, nem por sua língua ou costumes. Com efeito, não moram em cidades próprias, nem falam língua estranha, nem têm algum modo especial de viver. Sua doutrina não foi inventada por eles, graças ao talento e especulação de homens curiosos, nem professam, como outros, algum ensinamento humano. Pelo contrário, vivendo em cidades gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, adaptando-se aos costumes do lugar quanto à roupa, ao alimento e ao resto, testemunham um modo de vida social admirável e, sem dúvida, paradoxal. Vivem na sua pátria, mas como forasteiros; participam de tudo como cristãos e suportam tudo como estrangeiros. Toda pátria estrangeira é pátria deles, e cada pátria é estrangeira. Casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. Põem a mesa em comum, mas não o leito; estão na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas tem sua cidadania no céu; obedecem às leis estabelecidas, mas com sua vida ultrapassam as leis; amam a todos e são perseguidos por todos; são desconhecidos e, apesar disso, condenados; são mortos e, desse modo, lhes é dada a vida; são pobres, e enriquecem a muitos; carecem de tudo, e têm abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo, tornam-se glorificados; são amaldiçoados e, depois, proclamados justos; são injuriados, e bendizem; são maltratados, e honram; fazem o bem, e são punidos como malfeitores; são condenados, e se alegram como se recebessem a vida. Pelos judeus são combatidos como estrangeiros, pelos gregos são perseguidos, e aqueles que os odeiam não saberiam dizer o motivo do ódio.

Capítulo 6 - A alma do mundo

Em poucas palavras, assim como a alma está no corpo, assim os cristãos estão no mundo. A alma está espalhada por todas as partes do corpo, e os cristãos estão em todas as cidades do mundo. A alma habita no corpo, mas não procede do corpo; os cristãos habitam no mundo, mas não são do mundo. A alma invisível está contida num corpo visível; os cristãos são vistos no mundo, mas sua religião e invisível. A carne odeia e combate a alma, embora não tenha recebido nenhuma ofensa dela, porque esta a impede de gozar dos prazeres; embora não tenha recebido injustiça dos cristãos, o mundo os odeia, porque estes se opõem aos prazeres. A alma ama a carne e os membros que a odeiam; também os cristãos amam aqueles que os odeiam. A alma está contida no corpo, mas é ela que sustenta o corpo; também os cristãos estão no mundo, como numa prisão, mas são eles que sustentam o mundo. A alma imortal habita numa tenda mortal; também os cristãos habitam como estrangeiros em moradas que se corrompem, esperando a incorruptibilidade nos céus. Maltratada em comidas e bebidas, a alma torna-se melhor; também os cristãos, maltratados, a cada dia mais se multiplicam. Tal é o posto que Deus lhes determinou, e não lhes é lícito dele desertar.

Capítulo 7 - A origem divina do cristianismo

De fato, como já disse, não é uma invenção humana que lhes foi transmitida, nem julgam digno observar com tanto cuidado um pensamento mortal, nem se lhes confiou a administração de mistérios humanos. Ao contrário, aquele que é verdadeiramente Senhor e criador de tudo, o Deus invisível, ele próprio fez descer do céu, para o meio dos homens, a verdade, a palavra santa e incompreensível, e a colocou em seus corações. Fez isso, não mandando para os homens, como alguém poderia imaginar, algum dos seus servos, ou um anjo, ou algum príncipe daqueles que governam as coisas terrestres, ou algum dos que são encarregados das administrações dos céus, mas o próprio artífice e criador do universo; aquele por meio do qual ele criou os céus e através do qual encerrou o mar em seus limites; aquele cujo mistério todos os elementos guardam fielmente; aquele de cuja mão o sol recebeu as medidas que deve observar em seu curso cotidiano; aquele a quem a lua obedece, quando lhe manda luzir durante a noite; aquele a quem obedecem as estrelas que formam o séqüito da lua em seu percurso; aquele que, finalmente, por meio do qual tudo foi ordenado, delimitado e disposto: os céus e as coisas que existem nos céus, a terra e as coisas que existem na terra, o mar e as coisas que existem no mar, o fogo, o ar, o abismo, aquilo que está no alto, o que está no profundo e o que está no meio. Foi esse que Deus enviou. Talvez como alguém poderia pensar, será que o enviou para que existisse uma tirania ou para infundir-nos medo ou prostração? De modo nenhum. Ao contrário, enviou-o com clemência e mansidão, como um rei que envia seu filho. Deus o enviou, e o enviou como homem para os homens; enviou-o para nos salvar, para persuadir, e não para violentar, pois em Deus não há violência. Enviou-o para chamar, e não para castigar; enviou-o, finalmente, para amar, e não para julgar. Ele o enviará para julgar, e quem poderá suportar sua presença? Não vês como os cristãos são jogados às feras, para que reneguem o Senhor, e não se deixam vencer? Não vês como quanto mais são castigados com a morte, tanto mais outros se multiplicam? Isso não parece obra humana. Isso pertence ao poder de Deus e prova a sua presença.

Fonte: Padres Apologistas, Editora Paulus, pág. 22-25

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Disciplina e Soberania de Deus

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Os e-mails abaixo foram trocados entre mim e uma grande amiga, nos dias 23 e 27 de outubro, e estão sendo publicados com sua autorização.

Após a leitura do meu e-mail, assim ela se expressou: "Obrigada pelo seu e-mail, suas palavras me edificaram. Quando olhamos que tudo o que acontece está no controle do Senhor, a vida tem outro sentido. Creio que muitos devem compreender esta verdade."

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Olá André, que a paz de Nosso Amado Mestre seja contigo!

Como está? Gostaria de lhe fazer uma perguntinha: Como vc lida com as correções e discplinas que vem sobre sua vida? Tem um espírito submisso? Espero uma resposta....

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Antes de mais nada, peço desculpas pela demora em responder. As coisas andam um pouco corridas.

Indo diretamente à questão da disciplina de Deus sobre nossas vidas, há dois aspectos a se analisar: o teológico e o prático. No nível teológico podemos dizer que há pessoas que não crêem na disciplina de Deus. Elas acham que Deus não castiga seus filhos, já que Jesus sofreu na cruz por nós. De fato, Cristo já sofreu tudo o que merecíamos pelos nossos pecados, mas a disciplina de Deus não tem em vista nos fazer "pagar" pelos nossos pecados, e sim nos levar a ser participantes da Sua santidade. Isso é claramente ensinado no capítulo 12 da Epístola aos Hebreus e como você já crê nisso, não insistirei nesse ponto.

Mas o problema com a maioria das pessoas, ainda no nível teológico, é não saber discernir a disciplina de Deus sobre sua vida, por não crer na sobernia de Deus. Quase sempre, ao passar por um momento difícil ou uma dificuldade, a atitude da grande maioria dos cristãos (e outros que tem o nome "cristão", mas não o são) é atribuir isso ao diabo. Em muitos casos o diabo pode até ser o responsável, mas mesmo nesses casos a mão de Deus está por trás. Quando passamos por uma dificuldade isso pode ser uma disciplina, uma prova ou simplesmente a mão de Deus usando o nosso problema para o tornar em bem. Em todos os casos, mesmo se o diabo estiver envolvido, Deus é o responsável em última análise.

Temos alguns exemplos disso na Bíblia. O caso de José no Egito, que foi vendido pelos próprios irmãos como escravo e foi parar no Egito. Depois de tudo o que ele passou, ele bem que poderia ter dito que tudo isso foi uma conspiração diabólica contra ele. Mas não. No final de Gênesis ele chega a uma conclusão extraordinária, conversando com seus irmãos: "Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito" ( Gn.45:8); "Vós, na verdade, intestates o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida" (Gn.50:20). Neste caso, Deus tinha o propósito de usar as adversidades em sua vida para produzir um bem muito maior: a preservação da vida de muitas pessoas no Egito e em Canaã, principalmente os filhos de Israel.

Outro caso, muito conhecido, é o de Jó. E neste caso a própria Bíblia declara que o diabo estava envolvido. Foi ele quem pediu permissão a Deus para destruir os bens, a família e a saúde de Jó. Porém, ao passar por todo esse sofrimento, Jó teve a incrível atitude de se prostrar em adoração e atribuir todo o mal pelo qual tinha passado a Deus: "Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR" (Jó 1:21). Um pouco depois, conversando com sua esposa, ele pergunta: "Temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?". E o autor do livro observa: "Em tudo isto não pecou Jó com seus lábios" (Jó 2:10). Nesta história, o motivo das aflições de Jó era provar a sua fé. E após todo o sofrimento, ele foi aprovado, de tal modo que Deus restituiu em dobro tudo o que ele havia perdido. Será que Jó teria sido aprovado se tivesse atribuído os males pelos quais passou ao diabo? Tenho certeza que não.

Finalmente, temos o caso de Davi, que foi incitado pelo diabo para levantar o censo de Israel: "Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel" (I Cr.21:1). Porém, pasme, na passagem paralela que se encontra em I Samuel 24:1 é dito que quem o incitou a levantar o censo foi o próprio Deus! "Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá". Não há como explicar essa aparente contradição, senão que Deus usou o diabo como um instrumento para incitar Davi a fazer o censo e, como consequência, castigar os filhos de Israel. Isso pode parecer loucura para a maioria dos cristãos hoje, mas isso se deve ao fato de não entenderem a importante doutrina da soberania de Deus. Deus é o Rei do Universo e tem o mundo todo em Suas poderosas mãos. Não há nenhuma criatura que esteja fora do Seu controle, nem mesmo o diabo. Como disse Lutero, "o diabo é diabo de Deus".

Deixando um pouco essa questão da soberania de Deus e voltando à disciplina, temos um exemplo de disciplina divina na vida de Moisés. Por ter desobedecido à ordem de Deus de falar à rocha, ao invés de feri-la, ele perdeu o direito de entrar na terra prometida, morrendo pouco antes disso (Nm.27:12-14; Dt.34:1-8). No Novo Testamento temos a história de Ananias e Safira. É difícil afirmar se eles eram verdadeiros cristãos ou apenas joio no meio do trigo. Mas é bem provável que fossem filhos de Deus realmente, que devido ao pecado de mentirem ao Espírito Santo (At.5:3) foram disciplinados por Ele com uma morte fulminante (At.5:5,10). Na igreja de Corinto havia pessoas que estavam doentes e outras que tinham morrido por terem participado indignamente da Ceia do Senhor (I Co.11:30-31). Claramente, uma disciplina de Deus sobre a igreja.

Analisando agora o aspecto prático da disciplina, alguém poderia perguntar: como agir diante de uma dificuldade, encará-la como disciplina de Deus ou obra do diabo? É necessário certo discernimento para saber a forma correta de se agir. Mas quando temos em vista que Deus é soberano e nada acontece por acaso, mesmo as artimanhas do diabo, somos muito mais receptivos aos sofrimentos dessa vida e conseguimos agir com mais sabedoria. Eu diria que diante de uma dificuldade o melhor a se fazer é orar e buscar em Deus o alívio do sofrimento. Se Deus é diretamente responsável pelo problema, ou se está usando o diabo como um instrumento e causa secundária, nos dois casos o único que poderá resolver a situação é o próprio Deus.

A soberania de Deus também é o segredo do poder na oração, pois só podemos crer verdadeiramente que para Deus não há impossíveis se cremos que Ele tem o mundo e todo ser que nele há debaixo de Seu controle absoluto. Quando oramos a Deus vendo-o como o soberano de todo o Universo, conseguimos orar com poder e humildade, podendo dizer como Pedro disse à discipula morta - Tabita, levanta-te! - ou como Jesus disse no Getsêmani: "Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua" ( Lc.22:42). Deus pode fazer a nossa vontade (como no caso de Pedro) ou não (como no caso de Jesus, sem entrar em detalhes sobre Sua divindade). Mas em todos os casos, Deus fará a Sua vontade, e é isso que importa. "Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu", diz a Oração do Senhor. Mesmo que Ele não atenda ao nosso pedido e nos responda como fez a Paulo - a minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza - sabemos que Ele faz sempre o melhor, e que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm.8:28). Se é uma disciplina, uma provação, uma tentação de Satanás, ou qualquer outra coisa semelhante, nada foge da regra de Romanos 8:28 e a solução de todas essas dificuldades é o próprio Deus: "Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós" (I Pe.5:6-7).

Lançando toda essa base teológica e prática, finalmente respondo sua pergunta. Eu confesso com humildade que muitas vezes tenho dificuldades em aceitar com um espírito submisso certas disciplinas que sobrevêm à minha vida. Sou um pecador que precisa ser conformado cada vez mais à imagem de Cristo, e espero pela salvação inteiramente na graça de Deus. Mas posso te garantir que após conhecer e crer na soberania de Deus, como a Bíblia nos ensina e como demonstrei neste e-mail, passei a olhar as adversidades e toda a minha vida com outros olhos, como se tudo fosse parte do grande plano de Deus para mim e para o mundo. Esse tipo de pensamento tem me ensinado a aceitar as disciplinas, provas e demais adversidades com submissão e humildade cada vez maior, e dou a Deus toda a glória por isso.

Não sei como você tem encarado seus problemas e dificuldades. Não sei se tem a atitude de Jó ou a de muitos cristãos modernos, que consideram todo problema como satânico. Mas gostaria de te dizer, concluindo este e-mail, que a única forma de encarar as adversidades como os homens de Deus mencionados na Bíblia encaravam é crendo e vivendo esta bendita doutrina da soberania de Deus. Muitos acham assuntos como esse muito teóricos e sem aplicação prática. Nada mais longe da verdade. Uma compreensão correta dos ensinos bíblicos quanto a esses assuntos pode mudar completamente a vida de uma pessoa, como aconteceu comigo. Minha oração é que Deus use este e-mail para te dar uma compreensão maior dessas verdades e, neste caso específico, te ensinar a lidar com a disciplina com um espírito quebrantado e contrito.

Que Deus te abençoe grandemente!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Pausa nas aulas de escatologia

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Quero dar uma satisfação sobre minha pausa no preparo das lições da apostila A Segunda Vinda de Cristo e As Últimas Coisas. Devido a alguns problemas alheios à minha vontade, tive que parar com as aulas escatológicas na I.E.Q. Jardim Von Zubem. Como estou ministrando outros estudos para meus alunos agora (Enchimento com o Espírito Santo, Justificação pela Fé, Reforma Protestante, etc), está difícil arrumar um tempo de preparar duas lições semanais, a que irei ministrar na igreja e a lição para a apostila de escatologia. Porém, é minha intenção continuar escrevendo a apostila, e estou com a lição 4 quase pronta. Farei o possível para escrever todas as lições com regularidade semanal, como estava fazendo.


Agradeço a compreensão e o incentivo de muitos para que eu continuasse a escrever essa apostila. Na verdade, a aceitação da apostila superou minhas expectativas. Deus fez muito além do que eu podia pedir ou pensar, de tal forma que irmãos e pastores de algumas denominações estão utilizando a apostila em suas igrejas. Isso é gratificante para mim, mas a Deus seja toda a glória!

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

490º Aniversário da Reforma Protestante

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“Aviva a Tua obra, ó SENHOR!” (Hc.3:2)

O que foi a Reforma Protestante?

A Reforma Protestante foi o maior avivamento ocorrido na história da igreja. No dia 31 de outubro de 1517, num tempo de grande apostasia, Martinho Lutero, um homem levantado por Deus, elaborou 95 teses contra a venda de indulgências (perdão de pecados) pela igreja da Idade Média. Essa data marcou o início das igrejas evangélicas e de um avivamento sem precedentes na história: a Bíblia foi traduzida para diversas línguas e colocada nas mãos do povo; doutrinas fundamentais, como a justificação pela fé, foram recuperadas; a verdadeira adoração bíblica foi resgatada; o evangelho passou a ser pregado em diversas partes do mundo, etc.

Alguns anos depois, em 1529, certas pessoas queriam proibir os evangélicos de pregar em determinados territórios da Alemanha. Como eles protestaram contra essa proibição, ficaram conhecidos como “protestantes”. Por isso, esse grande avivamento passou a ser chamado de “Reforma Protestante”.

Precisamos de um avivamento hoje?

Hoje, 490 anos depois do início da Reforma, muitas igrejas chamadas evangélicas têm sofrido de males semelhantes ou piores aos da igreja da Idade Média: pessoas que se dizem cristãs continuam vivendo no pecado e líderes famosos estão ensinando doutrinas que não se encontram na Bíblia. Diante de tal apostasia e pecado, temos certeza de que precisamos de um avivamento hoje em nossas vidas e igrejas, um mover soberano e sobrenatural de Deus, derramando sobre nós do Seu Espírito e levando-nos de volta às verdades abandonadas da Palavra de Deus.

O que fazer para que o avivamento aconteça?

Deus é soberano e Seu Espírito sopra onde quer (João 3:8). Logo, nenhum cristão pode produzir avivamento, porque isso é obra de Deus. Porém, é responsabilidade do crente estar buscando um avivamento de todo o seu coração. Para isso, há duas coisas principais a se fazer:

1. Conhecer a Bíblia: Busque conhecer a Palavra de Deus profundamente e rejeite toda doutrina que não se encontra nela: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (Oséias 6:3);

2. Orar por um avivamento: Clame a Deus, com orações e jejum, por um avivamento em tua vida e na igreja atual: “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” (Atos 4:31).

Portanto, não fique parado! Conheça ao Senhor e clame com todo o teu coração: “Aviva a Tua obra, ó Senhor!”

domingo, 7 de outubro de 2007

Diferentes Interpretações do Livro de Apocalipse

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O Apocalipse é um dos livros bíblicos mais difíceis de serem interpretados. Caracteriza-se pelo emprego freqüente de símbolos e figuras. Seus intérpretes discordam a respeito do modo e do tempo em que as visões dos capítulos 6 a 19 são cumpridas.

Identificamos quatro métodos de interpretação do livro de Apocalipse, a saber, o método preterista, o historicista, o futurista e o idealista. Há, ainda, intérpretes que defendem uma combinação desses métodos. O objetivo deste estudo é fazer uma abordagem sucinta de cada um desses métodos interpretativos, sem defender um ou outro.

1. O Preterismo
Essa corrente busca interpretar o Apocalipse com base no seu contexto histórico. O simbolismo desse livro se relaciona predominantemente (ou exclusivamente) com os eventos contemporâneos a João (o autor) e às sete igrejas asiáticas (os destinatários). O seu cumprimento teria ocorrido na destruição de Jerusalém (no ano 70 d.C.) ou do Império Romano.

Segundo essa interpretação, o Apocalipse teria sido escrito com o propósito de confortar e encorajar a igreja do seu tempo, em meio às terríveis perseguições que estavam sofrendo. A vinda do Senhor significa a intervenção divina a fim de destruir os governos perversos e estabelecer o seu reino (do Senhor). A besta simboliza o Império Romano; o falso profeta, a classe sacerdotal asiática que promovia o culto ao imperador. A grande meretriz do capítulo 17 seria a cidade de Roma no século I, ou, para alguns intérpretes, a Jerusalém apóstata. Segundo o método preterista, o Apocalipse não é um livro escatológico.

2. O Historicismo
O método historicista entende que o livro de Apocalipse é uma predição da história geral e eclesiástica. Esse método é extremamente amplo, podendo levar a diversas interpretações acerca dos símbolos e dos cumprimentos proféticos. O livro poderia fazer alusão a muitos acontecimentos, como as invasões bárbaras, o surgimento e a expansão do Islã, as pestes que ocorreram na Europa medieval, a Reforma Protestante, a Revolução Francesa e até as Grandes Guerras do século XX.

Uma linha de interpretação historicista que se tornou muito comum é a que identifica, na besta, o papado e, no falso profeta, a Igreja Romana. Por muito tempo o método historicista foi o predominante no meio protestante.

3. O Futurismo
O método futurista relaciona os símbolos e as profecias do Apocalipse com os acontecimentos do fim dos tempos, as últimas coisas. Tudo se encontraria no contexto da crise final que antecede a segunda vinda de Cristo. A besta seria um líder político que instauraria um governo mundial, exigindo a adesão de todos os povos. O falso profeta seria uma religião ou um movimento ecumênico que daria suporte espiritual ao governo do Anticristo.

Dentro dessa linha interpretação surgiu e destacou-se o dispensacionalismo. Este sugere que as sete igrejas asiáticas mencionadas no livro simbolizam sete períodos da história eclesiástica. Crê num arrebatamento secreto da igreja, ao que se segue um período de grande tribulação que duraria sete anos, no qual o povo judeu sofreria feroz perseguição, até que se convertesse a Cristo. Ao final desses sete anos, Cristo voltaria para destruir a besta, prender Satanás e estabelecer um reino de mil anos na terra.

4. O Idealismo
Esse método interpretativo não busca um cumprimento exato dos símbolos e profecias apocalípticas. O conteúdo do livro consistiria numa representação do conflito espiritual entre o reino de Deus e os poderes diabólicos. De modo que do Apocalipse se extrairiam princípios para guiar a igreja em sua batalha espiritual, qualquer que fosse a época.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Entendendo a Justificação pela Fé

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Este é um esboço de uma aula sobre justificação pela fé ministrada por mim na IEQ Jardim Von Zuben, nos dias 6, 13 e 20 de agosto de 2006.

"Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo..." (Rm.5:1)

A Lei, o Pecado e a Justiça de Deus

- A Lei de Deus está revelada na Bíblia e representa a vontade de Deus para todos os homens. Está resumida nos Dez Mandamentos (Ex.20:1-17), que por sua vez se resumem no Grande Mandamento de Cristo (Mt. 22:34-40);

- A Lei exige do homem completa obediência (Js.1:7; Tg.2:10);

- A obediência à Lei traz vida (Lv.18:5), mas sua desobediência traz morte (Gl.3:10; Rm.6:23);

- O pecado é a transgressão da Lei (I Jo.3:4);

- Adão pecou e como era representante de toda raça humana, o pecado foi imputado a todos os seus descendentes (Rm.5:12);

- Todos os seres humanos nascem com o pecado original, incapazes de obedecerem à Lei de Deus (Rm.3:9-12), por isso não podem alcançar a vida pela obediência à Lei (Gl.2:16) e estão condenados à morte;

- Deus é justo e Sua justiça exige que o pecado seja punido. Ele não pode inocentar o culpado (Na.1:3).

A Obediência e Morte de Cristo

- Deus amou ao mundo espontaneamente e decidiu enviar Seu Filho para salvar os pecadores de sua lamentável situação (Jo.3:16);

- Cristo obedeceu perfeitamente a Lei de Deus (Hb.4:15) em nosso lugar, sendo totalmente justo, mas apesar disso foi morto como um pecador, levando na cruz os nossos pecados (I Pe.2:24) e morrendo a morte que nós merecíamos.

A Justificação

- É o ato legal de Deus nos declarar justos baseado na justiça de Cristo (Rm.5:21);

- É um ato instantâneo e acontece no momento da conversão (Rm.4:3);

- Ela compreende dois processos: Deus nos perdoa de todos os nossos pecados e imputa a nós a justiça de Cristo, considerando a obediência e morte de Cristo como se fossem nossas (Rm.5:19);

- É pela graça, não por méritos pessoais (Rm.3:23-24; Ef.2:8-9);

- É obtida mediante a fé (Rm.3:28);

- A prova da fé verdadeira são as boas obras (Mt.12:33; Tg.2:17);

- A justificação não é a regeneração e a santificação;

- A justificação sempre foi mediante a fé, baseada na justiça de Cristo, mesmo no Velho Testamento; ela nunca foi pela obediência à Lei (Gn.15:6; Hc.2:4).

Bênçãos Decorrentes da Justificação

- Paz com Deus (Rm.5:1);

- Adoção e certeza da salvação (Rm.8:15-17);

- Vida eterna (Jo.5:24; 10:27-29).

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O que significa receber a Cristo? (John Piper)

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Neste vídeo, John Piper fala sobre o significado de "receber a Cristo" e como isso tem sido distorcido pelo Evangelicalismo moderno.


John Piper fala sobre a teologia da prosperidade

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domingo, 23 de setembro de 2007

A Segunda Vinda de Cristo e as Últimas Coisas: Lição 3

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Sumário

Introdução
Lição 1: Uma Introdução à Doutrina da Segunda Vinda
Lição 2: Linhas Escatológicas
Lição 3: Como Será a Segunda Vinda
Lição 4: Sinais da Segunda Vinda
Lição 5: As Setenta Semanas de Daniel
Lição 6: A Grande Tribulação
Lição 7: O Anticristo
Lição 8: A Ressurreição e o Estado Intermediário
Lição 9: O Arrebatamento
Lição 10: O Milênio
Lição 11: O Juízo Final
Lição 12: Novos Céus e Nova Terra
Lição 13: Visão Panorâmica de Apocalipse
Bibliografia

Lição 3
Como Será a Segunda Vinda

"Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus"
(Mateus 24:30-31).

Introdução

Na lição um foi visto que a segunda vinda de Cristo será pessoal, visível e terá como conseqüência os acontecimentos finais do mundo: a ressurreição dos mortos, a transformação dos crentes vivos, o arrebatamento da Igreja para encontrar-se com Cristo, o juízo final e o surgimento dos novos céus e nova terra. Mas não foi estudado qual o tempo de cada um desses acontecimentos em relação à volta de Cristo, ou seja, o que acontecerá antes e depois da segunda vinda, e se haverá grandes períodos de tempo entre esses acontecimentos.

Nesta lição, as passagens que tratam da volta de Cristo serão analisadas detalhadamente para saber-se como será a segunda vinda de Cristo e seus eventos relacionados. Para isso, serão tomados como base, inclusive para as próximas lições, os capítulos 24 e 25 de Mateus, e suas passagens paralelas, em Marcos 13 e Lucas 21.

De acordo com estas passagens, a segunda vinda de Cristo será:

I. Precedida por sinais e pelo Anticristo

Em Mateus 24:3-14, após ser interrogado pelos discípulos sobre o sinal de sua vinda e do fim do mundo, Jesus dá uma lista de vários sinais que antecederão esses acontecimentos, como guerras, fomes, terremotos, perseguições, falsos profetas, apostasia, a pregação do evangelho por todo o mundo, etc. E logo depois, em Mateus 24:24, Cristo prediz o surgimento de falsos cristos e falsos profetas, antes de Sua volta: "porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos"

Certamente haverá vários falsos cristos ou anticristos antes da volta de Jesus, como já havia naquele tempo. Mas Paulo menciona um que merece especial atenção: o homem da iniqüidade, que normalmente é quem recebe o nome de Anticristo. Querendo assegurar que Jesus só voltaria após o aparecimento deste anticristo, Paulo ensinou: "Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto [a segunda vinda de Cristo] não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus" (II Tessalonicenses 2:3-4).

Tudo isso demonstra que, ao contrário do que ensina o pós-milenismo, o mundo vai de mal a pior, enchendo cada vez mais a medida de seus pecados, até o dia em que a ira de Deus será derramada sobre ele.

II. Logo após a grande tribulação

Depois de falar sobre a grande tribulação, em Mateus 24:15-22, Jesus inicia a descrição de Sua segunda vinda dizendo: "Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem..." (Mateus 24:29-30). Jesus afirma, portanto, que Sua vinda acontecerá logo após a grande tribulação. Interessantemente, os eleitos participarão da grande tribulação, ao contrário do que ensina o dispensacionalismo. Jesus diz, com respeito à grande tribulação: "Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados" (Mateus 24:22). Na grande tribulação, a igreja não sofrerá a ira de Deus (I Tessalonicenses 5:9), mas a ira dos homens (Mateus 24:9).

III. Uma vinda gloriosa

No texto chave da lição é dito que "todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória" (Mateus 24:30). Ao contrário de Sua primeira vinda de humilhação, em que Jesus nasceu numa manjedoura, de uma família pobre, e entrou em Jerusalém sobre um jumento, em Sua segunda vinda, Cristo voltará em glória e poder, sobre um cavalo branco, como o Juiz de todos, Rei dos reis e Senhor dos senhores (Apocalipse 19:11-16).

IV. Seguida pela ressurreição de crentes e incrédulos

Durante Seu ministério terreno, Jesus ensinou que haverá um tempo em que todos ressuscitarão, crentes e incrédulos: "Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo" (João 5:28-29). Em Daniel, vemos o mesmo ensino: "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno". (Daniel 12:2). Paulo ensina posteriormente que essa hora, na qual os crentes ressuscitarão, é o dia da volta de Cristo: "Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro" (I Tessalonicenses 4:16).

Essas passagens que tratam da ressurreição de crentes e incrédulos não falam de um intervalo entre essas ressurreições, como ensina o pré-milenismo. Pelo contrário, a idéia passada é que crentes e incrédulos ressuscitarão ao mesmo tempo. Isso é confirmado por Apocalipse 1:7, onde é dito que "todo olho o verá, até quantos o transpassaram". Até aqueles que abriram o lado de Jesus com uma lança (João 19:34) estarão vivos no dia da volta de Cristo, para vê-lo com os próprios olhos. Isso só será possível porque eles também ressuscitarão, junto com os crentes. Ou seja, com a volta de Cristo haverá uma ressurreição geral, de crentes e incrédulos.

Outro fato interessante quanto à ressurreição está registrado em I Coríntios 15:23-24: "Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda. E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder". Paulo afirma que Cristo foi o primeiro a ressuscitar, os crentes ressuscitarão em Sua segunda vinda e, após isso, virá o fim. Não fala de grandes períodos de tempo depois da vinda de Cristo, como um milênio. Após a volta de Cristo e a ressurreição virá o fim do mundo.

V. Seguida pelo arrebatamento

Após Sua volta, Jesus afirma que "ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus" (Mateus 24:31). Esse evento, acompanhado por um grande clangor de trombeta, é o mesmo descrito por Paulo em I Tessalonicenses 4:17, também seguido pelo toque da trombeta: "depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor". Em I Coríntios 15:52, Paulo também menciona essa mesma trombeta e os eventos que se seguem: "A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados".

Isso significa que o arrebatamento será logo após a segunda vinda de Cristo em glória e poder, e acontecerá quase ao mesmo tempo em que a ressurreição dos crentes. Com o toque da trombeta os crentes mortos ressuscitarão incorruptíveis, os crentes vivos serão transformados, e todos eles serão arrebatados para encontrar o Senhor nos ares e estarem para sempre com o Senhor.

VI. Seguida pelo juízo final

No capítulo 25 de Mateus, Jesus descreve o juízo final: "Quando vier o Filho do homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posso do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. [...] Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. [...] E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna" (Mateus 25:31-34,41,46).

Nesta passagem, Jesus deixa claro que o juízo final acontecerá logo após a Sua segunda vinda, no mesmo dia. Esse é o mesmo juízo mencionado pelo apóstolo Paulo em Atos 17:31: "Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos". É também o juízo profetizado por Enoque, como está registrado em Judas 14 e 15: "Eis que veio o Senhor entre suas santas miríades, para exercer juízo contra todos e para fazer convictos todos os ímpios, acerca de todas as obras ímpias que impiamente praticaram e acerca de todas as palavras insolentes que ímpios pecadores proferiram contra ele".

Nesse dia, todos os homens que já viveram neste mundo serão julgados, crentes e incrédulos. João registra o juízo final em Apocalipse, mencionando que os mortos também serão julgados: "Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o livro da vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros" (Apocalipse 20:12). Por esse motivo, a ressurreição dos mortos acontecerá antes do juízo final.

Judas afirma que até anjos decaídos serão julgados no juízo final: "A anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia" (Judas 6). Será o dia em que todos serão julgados e receberão de Deus o seu destino.

VII. Seguida pelos novos céus e nova terra

Finalmente, a Bíblia ensina que a segunda vinda de Cristo será seguida pelo aparecimento dos novos céus e nova terra. Já em Mateus 24:29 é descrito um abalo nos céus, que acompanha a segunda vinda: "o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados". Pedro se refere ao mesmo evento: "Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios. [...]. Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas. Visto que todas estas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão" (II Pedro 3:7,10-12). Isso acontece ao mesmo tempo em que Cristo volta, no Dia do Senhor. Será o início do fim do mundo.

Porém, logo após mencionar a destruição deste mundo tal como o conhecemos, Pedro fala de novos céus e nova terra: "Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça" (II Pedro 3:13). E em Apocalipse 21:1 João vê os novos céus e nova terra logo após o juízo final: "Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe". Isso significa que o aparecimento dos novos céus e nova terra acontece logo após a volta de Cristo e o juízo final.

Conclusão

Pelo que se pôde perceber pela análise da própria Bíblia, a visão escatológica que mais se aproxima do ensino geral das Escrituras sobre a segunda vinda de Cristo é o amilenismo. De fato, a volta de Cristo será precedida por sinais, pelo anticristo e pela grande tribulação. Com a vinda de Jesus os mortos em Cristo ressuscitarão incorruptíveis, os crentes vivos serão transformados, ambos serão arrebatados para encontrar-se com Cristo, os demais mortos também ressuscitarão, terá início o juízo final, todos receberão de Deus o seu destino e finalmente aparecerão os novos céus e a nova terra. Tudo isso no chamado Dia do Senhor.

Não há lugar para duas vindas de Cristo, uma secreta e outra pública, como ensina o dispensacionalismo. A Bíblia fala apenas de uma única segunda vinda de Cristo, que será pessoal, visível e pública, com poder e grande glória. Também não há lugar para um arrebatamento antes da grande tribulação, com o objetivo de livrar a igreja desse período. Além da Bíblia não mencionar nada semelhante, as passagens estudadas deixam claro que a igreja estará presente na grande tribulação e que o arrebatamento acontece depois. Não é possível que haja duas ou mais ressurreições, separadas por grandes períodos de tempo, como ensina o pré-milensimo. A Bíblia fala apenas de uma única ressurreição geral, de crentes e incrédulos. Um milênio neste mundo, antes ou depois da volta de Cristo, também é impossível diante das passagens analisadas. Finalmente, não haverá vários juízos, para crentes, incrédulos e anjos, mas o mesmo juízo final determinará o destino eterno de todos.

Na próxima lição serão estudados os vários sinais registrados na Bíblia que antecedem e asseguram a segunda vinda de Cristo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

A operação da graça

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A operação da graça

Uma simples poema não é capaz
De descrever o divino sentimento
Que Deus, em seu coração, traz
Por estes que são seu contentamento

A obra iniciada pelas santas mãos
Não podem ser interrompidas
Sobre nós cairão ricas bençãos
Graça e misericórdia sem medidas

Quem somos nós? Pobres pecadores
Mas a graça trouxe-nos a dignidade perdida
Livrou-nos do pecado e de seus horrores
Das trevas à luz, da morte à vida

Quem é semelhante a Ti, oh Forte!
Contigo está o perdão e a salvação
O poder que venceu a morte
A graça que curou meu coração

A Segunda Vinda de Cristo e as Últimas Coisas: Lição 2

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Sumário

Introdução
Lição 1: Uma Introdução à Doutrina da Segunda Vinda
Lição 2: Linhas Escatológicas
Lição 3: Como Será a Segunda Vinda
Lição 4: Sinais da Segunda Vinda
Lição 5: As Setenta Semanas de Daniel
Lição 6: A Grande Tribulação
Lição 7: O Anticristo
Lição 8: A Ressurreição e o Estado Intermediário
Lição 9: O Arrebatamento
Lição 10: O Milênio
Lição 11: O Juízo Final
Lição 12: Novos Céus e Nova Terra
Lição 13: Visão Panorâmica de Apocalipse
Bibliografia

Lição 2
Linhas Escatológicas

"Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos"
(Apocalipse 20:6).

Introdução

A palavra "escatologia" vem da combinação das palavras gregas "escathos", que significa "último", e "logia", que significa "estudo". Logo, a escatologia é o estudo das últimas coisas.

A escatologia é a área de estudo mais complexa e polêmica da teologia sistemática. As diferentes interpretações ocorrem quanto ao significado do milênio e sua relação temporal com a segunda vinda de Cristo. A palavra "milênio" significa "mil anos" e o termo vem do capítulo 20 de Apocalipse, onde é mencionado um reino de mil anos, como no texto chave desta lição. 

Há quatro linhas escatológicas principais entre os cristãos, todas tomando como base o tempo e significado do milênio, e sua relação com a segunda vinda de Cristo: pré-milenismo histórico, pré-milenismo dispensacionalista (ou pré-tribulacional), pós-milenismo e amilenismo. Nesta lição, cada uma dessas linhas de interpretação serão apresentadas com detalhes.

I. Pré-milenismo Histórico

O pré-milenismo histórico é uma interpretação encontrada em alguns pais da igreja, nos três primeiros séculos do Cristianismo, e em alguns protestantes durante a história, mas pouco comum atualmente. O prefixo "pré" significa "antes" e o pré-milenismo histórico ensina que a volta de Cristo ocorrerá antes do milênio.

Para esta visão escatológica, pouco antes da volta de Cristo haverá uma grande tribulação com duração indefinida, da qual a igreja participará. O chamado anticristo aparecerá neste período. Após a grande tribulação Cristo voltará de forma visível e gloriosa, ocorrerá a ressurreição dos crentes mortos, transformação dos crentes vivos e arrebatamento da Igreja para encontrar-se com Cristo em Seu retorno. Muitos dos incrédulos que estiverem vivos durante a segunda vinda se converterão, mas não todos.

Com a volta de Cristo a este mundo, Satanás será preso e Cristo inaugurará um reinado de mil anos sobre a terra, junto com os crentes ressurretos. Há divergência de opinião quanto à duração desse reinado ser de mil anos literais ou não. O milênio será um período de paz e grande progresso, onde o pecado estará controlado, mas não aniquilado, pois ainda haverá incrédulos vivendo sobre a terra.

Ao final do milênio, Satanás será solto e reunirá os incrédulos que se submeteram externamente ao reinado de Cristo, mas que nunca se converteram de fato, e os levará a batalhar contra Cristo e Seus santos. Porém, esses rebeldes serão derrotados definitivamente. Satanás será lançado no inferno, Cristo ressuscitará todos os incrédulos que já viveram neste mundo e se iniciará o juízo final, do qual participarão crentes, incrédulos e os anjos. Após o juízo final, os incrédulos serão lançados no inferno e os crentes entrarão no estado eterno, nos novos céus e na nova terra.

II. Pré-milenismo Dispensacionalista

O pré-milenismo dispensacionalista é uma nova variedade do pré-milenismo e surgiu no século XIX. Conquistou ampla popularidade em círculos fundamentalistas e é atualmente a visão escatológica mais conhecida entre os cristãos protestantes. Esta linha de interpretação também acredita que a volta de Cristo ocorrerá antes do milênio, como o pré-milenismo histórico. Porém, acrescenta-se mais uma vinda de Cristo antes da grande tribulação, que será um retorno secreto para tirar a Igreja deste mundo, e por isso esta visão é também chamada de pré-milenismo pré-tribulacional.

Segundo o dispensacionalismo (o sistema teológico onde o pré-milenismo dispensacionalista está incluído), a história da humanidade pode ser dividida em sete dispensações ou períodos, na qual Deus trata com o homem, especialmente com a nação de Israel, que é o centro do propósito de Deus. A Igreja do Novo Testamento seria um povo diferente de Israel do Antigo, e a atual era da Igreja, apenas um parênteses no plano divino para com os judeus.

No final da nossa era, chamada de dispensação da graça ou da Igreja, haverá um retorno secreto de Cristo antes da grande tribulação. Este retorno será invisível ao mundo e com ele haverá a ressurreição dos crentes mortos, transformação dos crentes vivos e o arrebatamento de ambos para encontrar-se com Cristo nos ares, ser julgados no chamado "tribunal de Cristo" e celebrar no céu as "bodas do Cordeiro". Este retorno secreto é conhecido como a primeira fase da segunda vinda.

Com o arrebatamento da Igreja se iniciará um período de grande tribulação no mundo, com duração de sete anos, pois segundo o dispensacionalismo este período será a última semana de anos de Daniel 9:24-27 (as setenta semanas de Daniel serão estudadas em detalhes na lição 5). Neste período, o anticristo terá um governo mundial em todo o mundo e perseguirá o povo judeu, que aceitará a Cristo como o Messias. No final da grande tribulação, Cristo retornará visivelmente ao mundo com a Igreja, no Monte das Oliveiras, e restaurará a nação de Israel. As nações serão julgadas e algumas delas deixadas para viver no milênio com Cristo. O anticristo e o falso profeta serão lançados no inferno, Satanás será preso, os crentes mortos durante a grande tribulação serão ressuscitados e se iniciará o milênio. Esta vinda visível de Cristo no final da grande tribulação é conhecida como a segunda fase da segunda vinda.

No milênio, haverá dois povos de Deus: Israel e Igreja, sendo a nação de Israel o principal povo do milênio. Haverá outros povos no milênio que foram julgados e tiveram sua participação permitida nesse reino. Porém, muitos dentre eles ainda serão incrédulos. Devido a isso, no final do milênio, Satanás será solto e levará os rebeldes a guerrearem contra Cristo e Seu povo, sendo destruídos por fim. Haverá, então, a ressurreição dos incrédulos e o juízo final, onde apenas os incrédulos serão julgados e lançados no inferno. Após o juízo final surgem os novos céus e a nova terra, onde os crentes habitarão eternamente com Deus. Alguns dispensacionalistas crêem que na eternidade ainda haverá uma diferença entre Israel e Igreja, enquanto outros crêem que os dois serão unidos num único povo.

III. Pós-milenismo

O pós-milenismo surgiu no século XVIII e é mais comum entre os protestantes de tradição reformada, apesar de atualmente alguns neopentecostais estarem adotando esse posicionamento. O prefixo "pós" significa "depois" e o pós-milenismo ensina que a vinda de Cristo acontecerá após o milênio.

Segundo esta interpretação, o milênio é simbólico e se refere ao reinado de Cristo na terra através da Igreja, que se iniciou com a Sua primeira vinda, mas que terá sua plenitude no futuro. Com a pregação do evangelho em todo o mundo, a Igreja aumentará em número, a ponto de quase todos se tornarem cristãos. Quando isso acontecer haverá um período de paz, prosperidade e grande avivamento em todo o mundo, de maneira sem precedentes na história. Esse período em particular é considerado como a plena manifestação do milênio e terá uma duração bastante longa, mas não necessariamente de mil anos. 

Para o pós-milenismo, não haverá um anticristo futuro, uma grande tribulação ou uma grande apostasia antes da volta de Cristo. As passagens que falam desses assuntos são normalmente interpretadas como já tendo se cumprido, através de uma linha de interpretação das profecias chamada preterismo, que será estudada na lição treze, sobre o Apocalipse. Outro distintivo do pós-milenismo é ensinar que o número de salvos será maior que o número de perdidos, tamanho será o número de conversões durante o milênio.

Após o milênio, Cristo voltará de forma visível, os mortos crentes e incrédulos ressuscitarão, os crentes vivos serão transformados, haverá o arrebatamento da Igreja, o juízo final para crentes, incrédulos e os anjos, e finalmente os novos céus e a nova terra.

IV. Amilenismo

O amilenismo foi a linha escatológica mais aceita entre os cristãos desde o século IV até o século XIX. Foi desenvolvido por Agostinho no século IV e V, mas é anterior a ele. Atualmente é a posição mais comum entre os cristãos reformados.

O nome dado a esta interpretação é inadequado, pois parece significar que para esta posição não há milênio algum, o que não é verdade. Para o amilenismo, o milênio é simbólico e não se refere a um reino físico de Cristo na terra por mil anos, mas ao seu reino celestial, com os santos que morreram e estão no céu, durante toda a era da Igreja. O número 1000 não é literal, mas simbólico, sendo derivado do número 10 (10 x 10 x 10 = 1000), que na Bíblia significa plenitude.

Com a primeira vinda de Cristo e o início do Novo Testamento, Satanás foi preso num sentido espiritual, e sua influência sobre as nações foi reduzida de forma que é possível a pregação do evangelho por todo o mundo. No final da era da Igreja, Satanás será solto, o anticristo surgirá e terá início a grande tribulação, pela qual a Igreja também passará. Após a grande tribulação, Cristo voltará de forma visível para todo o mundo, ressuscitará os crentes mortos, transformará os crentes vivos e os arrebatará até Sua presença. Ao mesmo tempo, os demais mortos também serão ressuscitados e se iniciará o juízo final, do qual todos participarão, crentes, incrédulos e os anjos. Após o juízo final o destino eterno de todos será proclamado: nos novos céus e nova terra com Deus ou no inferno com o diabo. Após o juízo final surgirão os novos céus e a nova terra, onde os salvos habitarão com Deus por toda a eternidade.

Conclusão

Nesta lição foram estudadas as principais linhas escatológicas, mas sem uma análise profunda das passagens bíblicas que cada uma delas utiliza para apoiar sua visão, devido ao tempo e propósito deste curso. A intenção não é estudar cada visão escatológica em particular, com todas seus argumentos e implicações, mas estudar o que a Bíblia ensina sobre a segunda vinda de Cristo, utilizando para isso a visão amilenista especificamente. Cabe aqui, porém, alguns comentários sobre os erros das diferentes interpretações estudadas nesta lição.

O principal erro do pré-milenismo histórico e dispensacionalista é interpretar o milênio literalmente, como sendo um reino físico e material de Cristo neste mundo, desprezando o simbolismo de Apocalipse em torno dos números e figuras. Outro erro é a crença em duas ou mais ressurreições, algumas antes do milênio para crentes e uma depois do milênio para os incrédulos. O dispensacionalismo em particular falha ao entender Israel e Igreja como dois povos diferentes, ao inventar uma vinda secreta de Cristo antes da grande tribulação apenas para crentes e ao separar os momentos de julgamento. O pós-milenismo é muito semelhante ao amilenismo, mas falha também por entender o milênio como um reino a ser implantando neste mundo e por sua visão otimista do futuro, distorcendo as passagens bíblicas que falam sobre uma grande tribulação e apostasia finais.

O amilenismo é a visão mais simples, natural e bíblica de todas, como se perceberá no decorrer deste curso. Como foi dito no início desta lição, a base para as divisões escatológicas existentes é o milênio e não a segunda vinda de Cristo propriamente dita. Isso é muito triste, pois a Bíblia não dá tal ênfase ao milênio, que só aparece uma única vez na Bíblia, em Apocalipse 20. A ênfase bíblica é sobre a segunda vinda de Cristo, que era a esperança da igreja primitiva. É perigoso montar todo um sistema teológico em cima de uma única passagem, de um livro simbólico como Apocalipse, e assim tentar acomodar toda a Bíblia segundo essa visão. Ao contrário, o milênio e todo o Apocalipse devem ser acomodados dentro do ensino geral das Escrituras sobre a volta de Cristo. O Apocalipse deve ser interpretado à luz da Bíblia, e não a Bíblia à luz do Apocalipse. E o amilenismo é a linha escatológica que cumpre essa tarefa com mais perfeição, colocando o milênio em seu devido lugar e enfatizando a grande doutrina da segunda vinda de Cristo, como faz o Novo Testamento.

Na próxima lição e na lição dez veremos como será a segunda vinda de Cristo e o milênio de acordo com a visão amilenista, desta vez analisando o que a própria Bíblia diz a respeito. E nas demais lições, cada um dos eventos mencionados nesta aula, relacionados com a segunda vinda de Cristo, serão estudados com detalhes.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A Segunda Vinda de Cristo e as Últimas Coisas: Sumário, Introdução e Lição 1

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Sumário

Introdução
Lição 1: Uma Introdução à Doutrina da Segunda Vinda
Lição 2: Linhas Escatológicas
Lição 3: Como Será a Segunda Vinda
Lição 4: Sinais da Segunda Vinda
Lição 5: As Setenta Semanas de Daniel
Lição 6: A Grande Tribulação
Lição 7: O Anticristo
Lição 8: A Ressurreição e o Estado Intermediário
Lição 9: O Arrebatamento
Lição 10: O Milênio
Lição 11: O Juízo Final
Lição 12: Novos Céus e Nova Terra
Lição 13: Visão Panorâmica de Apocalipse
Bibliografia

Introdução

A presente apostila foi preparada inicialmente para servir de apoio nas aulas de escatologia para a classe de jovens e adolescentes, da igreja local do autor. Mas a intenção do autor é que ela seja utilizada por qualquer professor, para ensino de qualquer classe, em qualquer igreja.

Ao contrário da maioria dos trabalhos sobre escatologia existentes no meio pentecostal atualmente, com uma perspectiva pré-milenista dispensacionalista, a abordagem desta apostila é amilenista. É convicção do autor que o amilenismo é a mais fiel expressão do ensino da Palavra de Deus quanto à segunda vinda de Cristo e às ultimas coisas.

Esta apostila foi dividida em treze lições, para duração de um trimestre, conforme o modelo padrão de revistas e apostilas de Escola Bíblica Dominical. Cada lição tem um formato padrão, com o texto bíblico chave e o conteúdo dividido em tópicos. 

É desejo do autor que este trabalho seja um instrumento valioso nas mãos de professores e alunos, para o ensino e aprendizado desta importante doutrina que é a segunda vinda de Cristo. E que, ao final deste estudo, a esperança da volta de Jesus encha de tal forma os corações que todos possam orar junto com o apóstolo João: "Vem, Senhor Jesus!" (Apocalipse 22:20).

André Aloísio Oliveira da Silva
Campinas, 1 de setembro de 2007

Lição 1
Uma Introdução à Doutrina da Segunda Vinda

"Eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras"
(Apocalipse 22:12).

Introdução

A doutrina da segunda vinda de Cristo é uma das mais importantes doutrinas da Bíblia. O Novo Testamento está repleto de referências a ela. Jesus e os apóstolos falaram muito freqüentemente sobre o assunto. Todos os principais credos, confissões e declarações de fé dos cristãos, produzidos no decorrer da história, fazem menção desta doutrina. Por todas essas razões, é importante ter-se um conhecimento exato desta grande verdade da Palavra de Deus. 

I. A certeza da Segunda Vinda

Que Cristo virá novamente, é tão certo quanto Sua primeira vinda. O Novo Testamento menciona a volta de Cristo trezentos e dezenove vezes, além das centenas de referências no Antigo Testamento. Capítulos inteiros foram dedicados ao tema, como Mateus 24 e 25, Marcos 13 e Lucas 21; e livros inteiros foram escritos para tratar deste assunto, como I e II Tessalonicenses.

Jesus disse: "E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também" (João 14:3). Paulo escreveu: "Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus" (I Tessalonicenes 4:16). Na Epístola aos Hebreus é dito que Cristo "aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação" (Hebreus 9:28). Tiago disse que "a vinda do Senhor está próxima" (Tiago 5:8). E, finalmente, o livro de Apocalipse, que contém várias referências à volta de Cristo, registra uma promessa de Jesus no final: "Certamente, venho sem demora" (Apocalipse 22:20).

II. Como será a Segunda Vinda

Existem diferentes interpretações a respeito de como será a segunda vinda de Cristo. Há discordância sobre alguns detalhes, como a seqüência da volta de Cristo, ou seja, o que acontecerá logo antes e logo depois. Apesar de serem detalhes que não devem dividir os cristãos, se não entendidos corretamente podem levar a interpretações antibíblicas, algumas delas muito perigosas. Estaremos estudando as principais linhas de interpretação sobre a volta de Jesus na próxima lição, e na lição três veremos com mais detalhes como será a segunda vinda de Cristo. Neste momento nos concentraremos naquilo que todos os cristãos crêem (ou deveriam crer) em comum sobre esta doutrina.

A Bíblia ensina que a segunda vinda de Cristo:

a) Será pessoal: Isso significa que o próprio Jesus virá novamente, em pessoa, com o mesmo corpo glorificado com que ressuscitou e da mesma forma como subiu aos céus. Algumas seitas, como as Testemunhas de Jeová, ensinam que a volta de Cristo é espiritual e que nem todos saberão quando isso acontecer. Outros, como os preteristas radicais, ensinam que Jesus já voltou na destruição de Jerusalém, em 70 d.C. Há quem argumente que a segunda vinda de Cristo foi o derramamento do Espírito Santo no Pentecostes. Porém, a Bíblia ensina claramente que Jesus voltará pessoalmente. Enquanto Jesus subia aos céus, dois anjos disseram aos discípulos: "Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do mesmo modo como o vistes subir" (Atos 1:11).

b) Será visível: A Bíblia ensina que todos verão Jesus quando Ele voltar. Será um evento público e muito visível. Jesus disse, referindo-se à Sua vinda: "Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória" (Mateus 24:30). E em Apocalipse lemos: "Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o transpassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém" (Apocalipse 1:7).

c) Terá como conseqüência os acontecimentos finais do mundo: Com a volta de Cristo haverá a ressurreição dos mortos (I Coríntios 15:22-23), a transformação dos crentes vivos (I Coríntios 15:51-52), o arrebatamento da Igreja para encontrar-se com Cristo (I Tessalonicenses 4:15-17), o juízo final (Atos 17:31) e o surgimento dos novos céus e nova terra (I Pedro 3:11-13). Cada um desses eventos e seu tempo em relação à volta de Cristo serão estudados detalhadamente nas próximas lições.

III. Quando será a Segunda Vinda

Durante a história, muitos falsos profetas tentaram marcar datas para a volta de Cristo. Mas a Bíblia ensina que a vinda de Cristo será repentina, como ladrão de noite, e que ninguém sabe o momento de Seu aparecimento. A respeito disso, Jesus disse: "Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai" (Mateus 24:36). Alguns argumentam que nós não sabemos apenas o dia e a hora, mas podemos saber o mês e o ano. Isso é uma distorção das palavras de Jesus, pois é claro pelo contexto que Sua intenção foi demonstrar a impossibilidade de se prever o Seu retorno em qualquer sentido. Além disso, a Bíblia não dá pista alguma sobre a data de Sua volta.

Na continuação da passagem, Jesus diz: "Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor... Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá" (Mateus 24:42,44). O fato de não sabermos quando Jesus voltará deve nos levar a viver em constante vigilância, nos santificando a cada dia e confirmando a nossa vocação e eleição (II Pedro 1:10), para que não sejamos pegos de surpresa naquele dia (I Tessalonicenses 5:4).

IV. A Esperança da Segunda Vinda

A segunda vinda de Cristo deve ser a maior esperança do cristão, pois quando Ele voltar nossa salvação finalmente se completará, com a glorificação de nossos corpos mortais para serem semelhantes ao de Jesus (Romanos 8:11,17-25,30). O cristão deve estar sempre "aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus" (Tito 2:13). Em seu viver diário ele deve refletir essa expectativa, vivendo de modo santo e piedoso, esperando e apressando a vinda de Cristo (II Pedro 3:11-12), aguardando o grande dia em que "seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é" (I João 3:2).

domingo, 8 de abril de 2007

O Chamado de Deus- Meditação sobre o capítulo 3 de Êxodo

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Esta Meditação do Domingo foi ministrada por André Aloísio no dia 18 de março de 2007, na abertura da Escola Bíblica Quadrangular, na Igreja do Evangelho Quadrangular do Jardim Von Zubem, em Campinas-SP.

Obs: O texto abaixo é a transcrição de uma gravação de 10 minutos. As expressões entre parênteses significam a resposta da igreja à mensagem.

Bom dia, igreja! Que a paz esteja com todos! (Amém!) Vamos todos abrir a Bíblia em Êxodo, capítulo 3. O capítulo 3 trata sobre um chamado especial de Deus a Moisés. Nós vimos no capítulo 2 como Moisés saiu do Egito e foi para a terra de Midiã, onde se casou e teve filhos. Agora, no capítulo 3, Deus aparece a ele e o chama para libertar o povo de Israel do Egito.

Eu dei um título a este capítulo: O Chamado de Deus. Hoje aprenderemos 5 verdades sobre o chamado de Deus para nossas vidas. Vamos começar do versículo 1:

“E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto, e chegou ao monte de Deus, a Horebe. E apareceu-lhe o anjo do SENHOR em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. E Moisés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão, porque a sarça não se queima. E vendo o SENHOR que se virava para ver, bradou Deus a ele do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui” (vs. 1-4).

Irmãos, quando Deus nos chama, como fez com Moisés, Ele nos chama pelo nome. Essa é a primeira verdade que nós aprendemos aqui neste capítulo: Deus nos chama pelo nome. Quando Deus nos chamou das trevas para a luz, da morte para a vida, Ele chamou cada um pelo próprio nome. (Aleluia!) Não foi um chamado geral, não! Ele chamou cada um individualmente. Mas por que Deus nos chamou? Por qual motivo Ele nos chamou do pecado para a justiça? Vamos ao versículo 5:

“E disse: Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa” (vs. 5).

Quando Deus fala com Moisés aqui, é um momento santo, pois Sua presença está naquele lugar. Ele, então, pede para Moisés tirar as sandálias. Isso é um símbolo de submissão, reverência e santidade. Moisés, em obediência, tira as sandálias dos pés, o que nos leva à segunda verdade: Deus nos chama para a santidade. Deus nos chama para a glória? Sim, Ele nos destinou para a vida eterna. Porém, Ele não nos chama para focarmos apenas a vida eterna e esquecermos nossas vidas aqui. Ele nos chama para a santidade, a cada dia, a cada instante. Nós devemos ser santos. Em Efésios 1:4 Paulo fala que nós fomos eleitos “antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele”. Então, a eleição de Deus e o Seu chamado também têm em vista a santidade de Seus eleitos. (Aleluia!) Continuando:

“Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus. E disse o SENHOR: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel; ao lugar do cananeu, e do heteu, e do amorreu, e do perizeu, e do heveu, e do jebuseu. E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel é vindo a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem. Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó para que tires o meu povo (os filhos de Israel) do Egito” (vs. 6-10).

Irmãos, temos aqui mais uma verdade, e é o que mais quero frisar nesta manhã: Deus nos chama para libertar os cativos. Da mesma forma que Ele chamou Moisés para libertar os filhos de Israel do Egito, Ele chama cada um de nós para libertar os cativos do mundo. É claro que essa libertação é alcançada pelo próprio Cristo, porém Ele nos usa e nos chama para pregar o evangelho. O que está escrito lá em Marcos 16:15? “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Quantos de nós estamos fazendo isso? Irmãos, Deus não nos chamou simplesmente para ficarmos sentados no banco da igreja, ouvindo o pastor pregar. O pastor prega e edifica a igreja. Ele alimenta as ovelhas. Porém, quem alcança as almas somos nós! Quem gera ovelhas é a própria ovelha! Então, Deus te chama, você mesmo, para pregar o evangelho, independentemente de qual é o seu ministério dentro da igreja.

Talvez você pense: “mas André, eu sou tão tímido! Eu não tenho coragem! Não tenha essa ousadia para falar de Jesus, para pregar o evangelho. Eu sei que Deus me chamou para isso, mas como farei se não tenho essa coragem?” Moisés falou a mesma coisa, mas Deus lhe dá uma resposta. Vamos ver, versículos 11 e 12:

“Então Moisés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel? E disse: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte” (vs. 11-12).

Veja a réplica de Moisés. Ele pergunta: “quem sou eu para tirar o povo do Egito?” Quem era ele? Ele não sabia nem mesmo falar corretamente. Mas Deus fala para ele: “olha, eu serei contigo!”. (Aleluia!) Talvez essa também seja sua réplica para Deus nesta manhã. Talvez você diga para Deus: “Senhor, mas eu não sei falar! Quem sou eu para estar pregando o evangelho? Eu não sou ninguém!”. Porém, Deus te fala: “Eu sou contigo!” (Aleluia!). Esta é a quarta verdade: Deus nos capacita para cumprir o nosso chamado.

Em Atos 1:8 temos uma promessa: “Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo; e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”. (Oh, glória!) Essa é uma promessa para nós hoje. Se você tem vergonha de falar do evangelho, irmão, busque o Espírito Santo! Ele nos dá a ousadia e a coragem necessárias. Se eu estou falando aqui hoje, eu que sou uma pessoa super tímida, é porque o Espírito Santo me capacita, como capacita cada um dos professores, cada um dos que sobem ao púlpito, e capacita você também, desde que busque a presença d’Ele. (Aleluia!) Continuando, o versículo 13:

“Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração. Vai, e ajunta os anciãos de Israel e dize-lhes: O SENHOR Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, me apareceu, dizendo: Certamente vos tenho visitado e visto o que vos é feito no Egito. Portanto eu disse: Far-vos-ei subir da aflição do Egito à terra do cananeu, do heteu, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu, a uma terra que mana leite e mel. E ouvirão a tua voz; e irás, tu com os anciãos de Israel, ao rei do Egito, e dir-lhe-eis: O SENHOR Deus dos hebreus nos encontrou. Agora, pois, deixa-nos ir caminho de três dias para o deserto, para que sacrifiquemos ao SENHOR nosso Deus. Eu sei, porém, que o rei do Egito não vos deixará ir, nem ainda por uma mão forte. Porque eu estenderei a minha mão, e ferirei ao Egito com todas as minhas maravilhas que farei no meio dele; depois vos deixará ir. E eu darei graça a este povo aos olhos dos egípcios; e acontecerá que, quando sairdes, não saireis vazios, porque cada mulher pedirá à sua vizinha e à sua hóspeda jóias de prata, e jóias de ouro, e vestes, as quais poreis sobre vossos filhos e sobre vossas filhas; e despojareis os egípcios” (vs. 13-22).

Irmãos, para terminar, a última verdade: Deus é soberano no cumprimento do nosso chamado. Talvez você pense: “André, Deus pode me dar a ousadia necessária para pregar o evangelho, mas quem garante que as almas serão ganhas por meu intermédio? Quem garante que alguém irá se converter com a minha pregação, ou com um folheto que eu entregar?”. Irmãos, Deus afirma: “EU SOU O QUE SOU”. Quando Ele diz isso, quando fala que o nome d’Ele é Jeová, EU SOU O QUE SOU, está querendo dizer que é um Deus soberano e tremendo, que está acima de todas as coisas. Ele é soberano, não depende de ninguém e faz tudo conforme o conselho de Sua vontade. Nós percebemos isso quando Deus diz que de fato iria fazer o povo de Israel sair de lá. Mesmo que Faraó não deixasse, a princípio, Deus, com Sua mão poderosa, iria mover o coração daquele rei, e ele iria permitir, por fim, que o povo de Israel saísse. Então, o que eu quero dizer é o seguinte: ainda que Deus te chame para pregar o evangelho, irmão, o poder para converter pecadores é de Deus. Deus te usa, mas quem irá converter e ganhar as almas realmente é Deus. A nossa obrigação é pregar o evangelho e quem irá converter e mover os corações é o próprio Deus. E assim como Ele moveu o coração de Faraó para libertar o povo do Egito, da mesma forma, Ele pode mover os corações e libertar cada pecador que ouve a pregação pela sua boca (Glória a Deus!).

Irmãos, nós fomos chamados por Deus para a santidade e para pregar o evangelho. Nunca se esqueça do seu chamado. Glória a Deus! Deus os abençoe!

domingo, 14 de janeiro de 2007

Esta Palavra é a vossa vida

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“Porque esta palavra não é para vós outros coisa vã; antes, é a vossa vida;” (Dt. 32:47a)

Deus, em Sua maravilhosa graça, havia entregado as Suas palavras ao Seu povo, mediante Moisés. E agora este líder procura ensinar os filhos de Israel a respeito do valor das Palavras de Deus, e uma das coisas que ele diz é justamente o que lemos logo acima. Portanto, meditemos um pouco a respeito dessa declaração.

Em primeiro lugar, em que sentido a Palavra de Deus é a “nossa vida”, a vida de Seu povo? Um deles é que, por meio de Sua Palavra, Deus nos concedeu vida espiritual. É por isso que o apóstolo Paulo chama o Evangelho de “a palavra da vida” (Fp 2:16). Estamos lembrados, irmãos, de qual era a nossa situação antes de sermos salvos? Estávamos “mortos em delitos e pecados” (Ef. 2:1), éramos defuntos espirituais, totalmente alienados de Deus e incapazes de salvar a nós mesmos. Achávamos que estava tudo bem, sem percebermos que caminhávamos a passos largos para a condenação eterna, ao desprezar o grande Deus. Porém, houve um dia em que ouvimos a Palavra de Cristo e ela penetrou no nosso coração, concedendo-nos entendimento. Mediante o Evangelho, o Espírito Santo convenceu-nos de nossos pecados e necessidade, levando-nos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo. Não foi assim? Hoje podemos dizer: “Ele nos deu vida, estando nós mortos em delitos e pecados” (Ef. 2:1), e foi mediante a Palavra de Deus que tal milagre aconteceu.

Outro sentido em que a Palavra de Deus é a “nossa vida” é que a nossa existência deve ser totalmente governada por esta Palavra. São os ensinamentos das Escrituras que devem pautar a nossa fé, comportamento, pontos de vista. Acreditamos em todas as declarações de Deus, e rejeitamos qualquer pensamento que as contrarie. Agimos do modo como o Livro Santo nos ensina, cumprindo as suas ordens e não praticando o que ele proíbe. Enxergamos o mundo e construímos a nossa vida de acordo com aquilo que está escrito na Bíblia. Ou seja, esta Palavra não é uma palavra qualquer, mas é a nossa vida, está em nosso coração e absolutamente tudo o que fazemos é pautado por ela. Toda a nossa segurança e esperança se encontra nela, nosso consolo e força provém inteiramente daquilo que sai da boca do Senhor.

Assim, meus irmãos, nós devemos encarar a Palavra de Deus como a nossa vida, como algo tão essencial e importante como o ar que respiramos e o alimento que comemos. Será que temos feito isso? Temos dado o devido valor às Escrituras? Temos dedicado tempo à leitura bíblica, ou será que somos por demais ocupados para isso? Meditamos “dia e noite na lei do Senhor” ou achamos que temos coisas mais interessantes a fazer? E quando lemos a Bíblia, o fazemos com prazer e alegria ou como uma atividade enfadonha e cansativa? Damos crédito a tudo o que ela diz ou achamos que a nossa opinião e a de outras pessoas é melhor? Entendemos a urgente necessidade de conhecermos a Deus e a Sua Palavra?

Medite nessas palavras, meu caro leitor, e que Deus o abençoe!

“A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente, justos. São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa.” (Sl 19:7-10)
 

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