segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Parábola da Salvação

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Esta parábola foi retirada do sermão Nº 115 de Charles H. Spurgeon, Por que são salvos os homens?

Num tempo, a Misericórdia estava sentada em seu trono, que era branco como a neve, rodeada de exércitos de amor. Um pecador, a quem Misericórdia se havia proposto salvar, foi trazido à sua presença. O arauto tocou a trombeta, e depois de três chamados, com voz mui alta, disse: “Ó céus, terra e inferno, tenho vos convocado neste dia para que venham diante do trono de Misericórdia, e declarem por que este pecador não deve ser salvo”. Ali estava o pecador, tremendo de medo; ele sabia que havia uma multidão de oponentes, que queriam abrir espaço para entrar no salão de Misericórdia, e com os olhos cheios de ira, diriam: “Ele não deve e não escapará; ele deve se perder!”.

Soa a trombeta e Misericórdia estava sentada placidamente em seu trono até que entrou um com semblante de fogo; sua cabeça estava coberta de luz; falava com voz de trovão, e de seus olhos saiam raios. “Quem és tu?”, perguntou Misericórdia. Ele respondeu: “Eu sou a Lei; a Lei de Deus”. “E que tens a comentar?” “Tenho que dizer isto”, e levantou uma tábua de pedra, escrita dos dois lados; “estes dez mandamentos têm sido quebrados por este miserável. Eu demando seu sangue; pois está escrito: ‘A alma que pecar, esta morrerá’. Assim, pois, pereça ele, ou então perecerá a justiça”. O miserável se enche de tremor, seus joelhos se batem, a medula dos seus ossos se derrete internamente, como se fosse derretida pelo fogo, e treme com muito terror. Já parecia ver o raio lançado contra ele, penetrando sua alma, e o inferno aberto em sua imaginação diante dele, e se considerou perdido ali para sempre. Porém, Misericórdia sorriu e disse: “Lei, eu te responderei. Este miserável merece morrer; a justiça exige que ele pereça; eu concedo tua exigência”. Ó, como treme o pecador! “Porém, há um que veio comigo no dia de hoje, meu Rei, meu Senhor; seu nome é Jesus; ele te dirá como pode ser paga a dívida para que o pecador seja livre”. Então Jesus falou e disse: “Ó Misericórdia, farei o que me pedes. Toma-me, Lei. Põe-me no horto. Faz-me suar gotas de sangue. Então, crava-me num madeiro. Açoita minhas costas antes que me mates. Levanta-me na cruz. Que o sangue das minhas mãos e dos meus pés corra em abundância. Desça-me ao sepulcro. Deixe-me pagar tudo o que deve o pecador. Eu morrerei em seu lugar”. E a Lei saiu e açoitou ao Salvador, o cravou na cruz, e regressou com seu rosto radiante de satisfação, e parou diante do trono da Misericórdia, e Misericórdia perguntou: “Lei, que tens que adicionar agora?” “Nada”, respondeu, “formoso anjo, nada”. “Como!? Nenhum destes mandamentos está contra ele?” “Não, nenhum. Jesus, seu substituto, cumpriu todos eles. Ele pagou a pena por sua desobediência, e agora, em vez de sua condenação, exijo, como uma dívida de justiça, que o pecador seja absolvido”. “Permanece aqui”, disse Misericórdia, “senta-se em meu trono. Tu e eu enviaremos agora uma nova intimação”.

A trombeta soou outra vez: “venham aqui, todos os que tenham algo a dizer contra este pecador, para que não seja absolvido”. E se levanta outro, um que freqüentemente afligiu ao pecador, um que tinha uma voz não tão alta como a da Lei, porém penetrante e estremecedora, uma voz cujos sussurros eram tão cortantes como uma adaga. “Quem és tu?”, perguntou Misericórdia. “Eu sou a Consciência; este pecador deve ser castigado; ele tem feito muito contra a lei de Deus e deve ser castigado; eu o exilo; e não permitirei descansar até que seja castigado, e não me deterei ali, pois o seguirei inclusive até ao sepulcro, e o perseguirei mais além da morte com angústias indizíveis”. “Não”, respondeu Misericórdia, “escuta-me”, e fazendo uma pausa por um momento, tomou um maço de hissopo e limpou com sangue a Consciência, dizendo: “Escuta-me, Consciência, ‘o sangue de Jesus, o Filho de Deus, nos limpa de todo pecado’. Agora, tens algo a dizer?” “Não”, respondeu Consciência, “nada”.

“Coberta está sua injustiça;
Ele está livre de condenação”

“De agora em diante, já não lhe atormentarei. Serei uma boa consciência para ele, por meio do sangue de nosso Senhor Jesus Cristo”.

A trombeta soou uma terceira vez, e uivando desde as cavernas mais profundas, aproximou-se um diabo repugnante, com ódio em seus olhos, e uma majestade infernal em seu semblante. Perguntou-se-lhe: “Tens algo contra esse pecador?”. “Sim”, respondeu, “o tenho; ele tem feito uma aliança com o inferno, e um pacto com a sepultura, e aqui está, firmado por sua própria mão. Ele pediu a Deus que destruísse sua alma na bebedice, e fez votos que nunca se voltaria para Deus; olhem, aqui está seu pacto com o inferno!”. “Vejamos”, disse Misericórdia; e lhe foi entregue, enquanto o diabo mirava com olhar sombrio ao pecador, e lhe atravessava com suas sombrias olhadelas. “Ah!”, disse Misericórdia, “porém, este homem não tinha o direito de firmar a escritura; um homem não pode vender a propriedade alheia. Este homem foi comprado e pago de antemão; ele não se pertencia; o pacto com a morte está anulado, e a aliança com o inferno feita em pedaços. Segue teu caminho, Satanás”. “Não”, disse, uivando de novo, “tenho algo mais a adicionar: esse homem sempre foi meu amigo; sempre escutou minhas insinuações; zombava do evangelho; desdenhava da majestade do céu; acaso, receberá o perdão, enquanto eu tenho que continuar na minha guarida infernal, para suportar para sempre a pena da minha culpa?” Misericórdia respondeu: “Arreda-te, demônio; estas coisas ele fez nos dias anteriores à sua regeneração; mas a palavra ‘não obstante’ (Sl.106.8) as apagou. Vai-te para o teu inferno, e considera isto como outro açoite que se te dá. O pecador será perdoado, porém tu nunca o serás, diabo traidor!”.

E logo Misericórdia se voltou ao pecador sorrindo e disse: “Pecador, a trombeta deve soar pela última vez!”. Outra vez foi tocada, e ninguém respondeu. Então se levantou o pecador, e Misericórdia disse: “Pecador, faz tu mesmo a pergunta: pergunta ao céu, à terra e ao inferno, pergunta se alguém pode te condenar”. E o pecador, permanecendo de pé, com uma voz alta e ousada perguntou: “Quem acusará os escolhidos de Deus?”. E olhou para o inferno, e Satanás estava ali, mordendo suas cadeias de ferro; e olhou para a terra e ela estava silenciosa; e na majestade da fé, o pecador subiu ao céu mesmo, e perguntou: “Quem acusará os escolhidos de Deus? Deus?”. E veio a resposta: “Não, ele justifica”. “Cristo?” E foi sussurrado docemente: “Não, ele morreu”. Então, olhando ao seu redor, o pecador perguntou com alegria: “Quem me separará do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor?” E o pecador que estava condenado antes regressou à Misericórdia e permaneceu prostrado aos seus pés, e fez votos de ser seu para sempre, se ela o guardasse até ao fim, e o convertesse no que ela desejava que fosse. Então, já não mais soou a trombeta. Os anjos se regozijaram, e o céu se alegrou, pois o pecador tinha sido salvo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Dependência Total de Cristo

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"sem mim nada podeis fazer" (Jo 15:5)

Creio que dentre todos os textos das Escrituras, nenhum fala da dependência de Cristo tão explicitamente quanto este. A afirmação é incontestável, não deixa brechas para contornos ou distorções: dependemos absolutamente de Jesus Cristo.

Viemos a nos arrepender de nossos pecados e crer em Jesus para sermos salvos? Sim! Nós fizemos isso, contudo, sem Cristo, jamais o teríamos feito. Ou algum de vocês imagina que pecadores completamente mortos e alienados de Deus teriam tal capacidade? Jamais, pois "ninguém pode vir a mim [Jesus], se o Pai que me enviou não o trouxer" (Jo 6:44). Nenhum homem é capaz de dar um passo sequer em direção a Cristo, devido ao seu estado de pecaminosidade e miséria espiritual, no qual todos se encontram. É necessária uma obra sobrenatural e divina no coração do pecador, concedendo-lhe soberanamente arrependimento e fé. Quando alguém se volta para Jesus, é devido ao fato que o próprio Jesus graciosamente concedeu-lhe vida, "pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer" (Jo 5:21).

Estamos perseverando na fé e crescendo em santidade? Sim! Temos feito isso, contudo, sem Cristo, já estaríamos totalmente desviados há muito tempo! Ah, como vivemos em um mundo tenebroso, sedutor, cheio de enganos e pecados! Se o Senhor não mantivesse o nosso coração firmado, será que conseguiríamos nos manter de pé? É certo que não, pois "enganoso é o coração" (Jr 17:9). É Deus quem nos santifica e nos mantém no caminho da vida, como Ele próprio prometeu: "porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim" (Jr 32:40). O apóstolo Paulo entendeu isto e nos mostrou que, apesar de nosso esforço na santificação, é Deus quem cria em nós o desejo e a capacidade de nos santificarmos: "operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2:12-13). Por fim, há a garantia bendita de nosso Salvador, que disse: "Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia." (Jo 6:38-39).

Poderíamos continuar e fazermos uma lista mais completa. Temos conhecido a Deus em Sua Palavra cada vez mais profundamente? Estamos aprendendo a amar o nosso próximo ardentemente? Temos exercido nossos ministérios com excelência? Nos dedicamos com fervor à uma vida de oração comprometida? Sem Cristo, nada disso poderíamos fazer.

Jesus, somente Ele, é a fonte de toda graça e benção espiritual. Todos os tesouros eternos de Deus estão nEle, estando disponíveis a nós pela fé, por causa do Seu sangue precioso vertido na cruz em nosso favor. Oh crente, sem Cristo você nada é, nada pode fazer, mas também saiba que com Cristo você é muito, e na Sua força você também pode fazer muitas coisas para Sua glória. Sem Cristo, nada; com Cristo, "tudo é vosso" (1 Co 3:22) e "tudo podeis" (Fp 4:13).

"Pai querido! Imploramos que nos ensine que, sem Cristo, nada podemos fazer. Que esta verdade esteja cravada em nosso coração e nos leve a um estado de humilhação perante Sua face, onde nos alegramos profundamente em sermos nada para que o Senhor seja, de fato, tudo em nossas vidas. Que esta humildade alegre tome conta de nós e expurgue toda soberba espiritual. Da mesma forma, que também reconheçamos que somente mediante Cristo temos acesso a todas as dádivas celestiais, e Sua força nos capacita a glorificar Seu nome neste mundo. Aprofunda em nós o senso de dependência e união com Cristo! Em nome de Jesus, amém!"

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Tornai conhecidas entre os povos as Suas obras - Isaías 12:4

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Parte: [1] [2] [3] [4]

"E direis naquele dia: Dai graças ao SENHOR, invocai o seu nome, tornai conhecidas entre os povos as suas obras, proclamai como o seu nome é majestoso." (Is 12:4)

Depois de fornecer duas descrições sobre o relacionamento íntimo do cristão com Deus, falando sobre as ações de graças e o invocar o nome do Senhor, agora o profeta nos incita a mostrar publicamente o que descobrimos sobre Deus, manifestando aos povos as Suas obras e a majestade de Seu nome.

Pensemos, portanto, sobre as obras de Deus. Antes de torná-las conhecidas às demais pessoas, nós mesmos precisamos estar bem experimentados nelas. Diz o salmista Davi: "maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem" (Sl 139:14). Precisamos urgentemente deste conhecimento profundo a respeito das obras de Deus, pois elas nos dizem muito a respeito dEle, nos mostrando todos os Seus maravilhosos atributos em ação e refletindo o brilho de Sua glória. É nosso dever, como filhos de Deus, nos esforçarmos para estarmos familiarizados com todos os feitos de Deus na história, tando do passado, como os de hoje e os que ainda estão por vir.

Tendo posto isso, quais são as obras de Deus para as quais devemos atentar com mais seriedade e carinho? É verdade que Suas obras são inumeráveis, maiores do que nossa imaginação pode conceber e todas são importantes, mas com certeza há algumas que são tão essenciais que jamais devemos nos contentar a um conhecimento limitado delas: pelo contrário, devemos mergulhar totalmente nossa mente e coração na meditação dessas obras, para o proveito eterno de nosssa alma.

Quero lhes falar resumidamente sobre três grandes obras de Deus na história, que estão relacionadas à salvação dos homens.

Primeiramente, pensemos sobre uma obra que já aconteceu definitivamente no passado, a saber: a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Este é o grande marco da história da humanidade: "Daquele que não tinha pecado [Jesus] Deus fez um sacrifício pelo pecado em nosso favor, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus" (2 Co 5:21). Jesus Cristo, que é eternamente Deus, assumiu a forma humana, vivendo uma vida de plena justiça e santidade entre os homens, e no tempo determinado por Deus, foi crucificado pelos pecados de Suas ovelhas. Oh crentes, Ele tomou sobre si os nossos pecados e nos livrou para sempre da condenação eterna! Seu sangue puro e imaculado foi derramado em nosso favor, oferecendo um sacrifício perfeito a Deus e nos reconciliando com o Pai por toda a eternidade, de modo que gozaremos da alegria suprema de Deus pelos séculos dos séculos!

Oh, bendito Salvador! Verdadeiramente, "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito" (Jo 3:16). Querido irmão, medite na cruz de Cristo, na perfeita obra de salvação que Ele efetuou sobre o monte do calvário. A salvação de todo o povo de Deus foi assegurada ali, naquela cruz, por meio daquele sangue carmesim que foi derramado. Portanto, é dever e privilégio de todo cristão se regozijar e meditar no Cristo crucificado, bem como em todas as coisas que se relacionaram com a crucificação: Sua encarnação milagrosa, Sua vida perfeita, Seus milagres poderosos, Sua ressurreição e Sua ascenção aos céus.

Agora, quero pensar com vocês sobre uma obra que Deus já realizou incontáveis vezes no passado, continua realizando hoje e ainda realizará muitas vezes até a Sua volta: a obra de levar homens a Cristo. Disse Jesus: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer" (Jo 6:44).

Deus tem trazido para Si, em Cristo, incontáveis pecadores em todo o mundo, em todas as épocas, pelo agir poderoso de Seu Espírito. Multidões de pessoas, antes mortas em delitos e pecados, tem sido vivificadas pelo Seu sopro. Homens e mulheres corruptos, depravados, totalmente alienados de Deus, têm tido seus olhos abertos para ver a glória de Jesus. Sim, há assassinos, estupradores, mentirosos, fornicadores, e diversos tipos de indivíduos da pior espécie, com os piores pecados, com as manchas mais grotescas, que tem sido levados por Deus a encontrar salvação gratuita e imerecida em Jesus.

Quando penso nisso, sempre me recordo das declarações emocionadas do salmista, ao falar sobre a situação em que ele se encontrava e o que Deus fez por ele. Vejam só: "Tirou-me de um poço de destruição, de um lamaçal; colocou os meus pés sobre uma rocha, firmou meus passos. Pôs na minha boca um cântico novo, um hino ao nosso Deus. Muitos verão isso, temerão e confiarão no SENHOR" (sL 40:2,3). É isso que Ele faz!

Por fim, quero falar sobre uma obra que Deus ainda realizará, a qual é a grande expectativa de todo filho de Deus. O apóstolo João teve uma visão dessa obra, e declarou: "Então vi um novo céu e uma nova terra" (Ap 21:1). Deus, em breve, julgará toda a humanidade, condenando eternamente todos aqueles que não creram no Seu Filho e chamando ao gozo eterno todos os que creram nEle. Este povo especial, que foi amado pelo Senhor e creu no Seu Filho, desfrutará para sempre de um novo céu e uma nova terra, onde "Deus enxugará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem lamento, nem dor, porque as primeiras coisas já passaram" (Ap 21:4). Deus fará novas todas as coisas, de modo que tudo aquilo que O desonrava não mais existirá, e Sua glória suprema e majestosa brilhará no rosto de todos os Seus eleitos para sempre: eles serão semelhantes ao próprio Jesus (Rm 8:29).
Oh, volte logo, Senhor Jesus, volte logo!

Meus irmãos, estas são algumas das maravilhosas obras do Senhor que devemos proclamar. Mas há muitas outras e devemos nos aplicar a estudá-las, lendo com afinco as Escrituras e implorando por iluminação do Espírito Santo.

Conheçamos, portanto, as obras de nosso Deus, para que possamos proclamá-las entre as nações!

Glória a Deus, para sempre, por todos os Seus feitos gloriosos!
Abraços, de seu irmão, testemunha da graça e poder de Deus,
Davi.

domingo, 11 de outubro de 2009

Amar a Deus acima do ser humano?

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Este texto é um e-mail enviado por mim a uma pessoa que, depois de ter lido no meu Orkut que meu par perfeito é "Uma mulher de Deus que O ame acima de todas as coisas e que me ame de verdade", me perguntou se devemos amar a Deus acima do ser humano, já que, segundo ela, Deus está em todo ser humano.

Olá, boa tarde! Como você está?

Respondendo sua pergunta:

"Mas Deus não está em cada ser humano?"

Não no mesmo sentido. Deus, pela Sua onipresença, está em todos os lugares (Sl.139.7-10). No entanto, Ele não habita em todos os lugares da mesma maneira. Deus está tanto no céu quanto no inferno (Sl.139.8). No céu Deus está em todo o Seu amor e graça, para abençoar (Ap.21.1-5); no inferno Ele está em toda a Sua justiça e ira, para condenar o pecado e aqueles que o praticam (Mt.10.28; Ap.14.9-11). O mesmo pode-se dizer com respeito às pessoas. Deus só está presente para abençoar naqueles que são Seus filhos. E os filhos de Deus só são aqueles que receberam a Cristo como Senhor e Salvador (Jo.1.12-13). Por isso, Paulo diz que os cristãos, e apenas eles, são o templo do Espírito Santo (I Co.3.16; 6.19).

Entrando na questão do amor, a Bíblia é bem clara ao ensinar que Deus deve ser o objeto do nosso amor em primeiro lugar (Sl.73.25-26). Segundo a lei de Moisés e o próprio Jesus, o maior mandamento é amar a Deus de todo coração, alma e entendimento (Mt.22.37-38). Por isso, nós devemos sim amar a Deus acima de todo ser humano, e acima de todas as demais coisas deste mundo. O nosso maior tesouro e desejo deve ser o próprio Deus (Sl.84.1-2). O amor ao próximo vem em segundo lugar (Mt.22.39), e só ama ao próximo verdadeiramente quem ama a Deus acima de tudo (I Jo.4.7-21). Como apenas os filhos de Deus podem amar a Deus verdadeiramente, apenas os filhos de Deus podem amar ao próximo verdadeiramente.

Portanto, para que alguma mulher me ame de verdade, com amor "ágape", como eu digo no Orkut, é necessário que ela primeiro ame a Deus acima de tudo, inclusive acima de mim mesmo.

Espero que tenha ficado claro.

Que Deus te abençoe grandemente!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A Igreja precisa de uma Nova Reforma

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Este artigo foi escrito por mim no início de 2003, antes da minha própria Reforma. Que neste mês de outubro, quando a Reforma Protestante completará 492 anos, este artigo possa servir como reflexão sobre a necessidade de Reforma na Igreja moderna.

Analisando a Igreja de hoje percebi que ela está enfrentando duas grandes crises: crise doutrinária e crise moral e espiritual. Ela está, como o Apóstolo já previa, apostatando da verdadeira fé (I Tm.4.1). Vejamos o porquê.

Crise doutrinária

Existem muitas heresias penetrando as igrejas. Muitas dessas heresias vêm da parte dos chamados neopentecostais, que são o maior grupo evangélico do país, com muitos programas de televisão, onde propagam suas estranhas doutrinas, mais centradas no poder do homem que no poder de Deus. Uma delas é a famosa “doutrina da determinação”. Segundo esse ensino, Deus é uma espécie de gênio da lâmpada, que está na igreja (e essa tem que ser neopentecostal!) somente para realizar os nossos pedidos. A maioria dos “cristãos” dessas igrejas estão lá para pedirem, e pedirem não bens espirituais, mas materiais. A adoração passou para 2º plano. Deus já não é mais adorado “em espírito e em verdade” (Jo.4.24), mas as pessoas somente “determinam” que querem tal coisa, e Deus deve dar de qualquer jeito.

Essas heresias estão invadindo até as igrejas que não são neopentecostais. “Quebra de maldição”, “prosperidade” e “determinação” são palavras que estão entrando no vocabulário de muitas denominações. O chamado “evangelho da prosperidade” está conquistando muitas pessoas e muitas igrejas. Mas será esse o evangelho de Cristo?

O conhecimento bíblico nas igrejas vem diminuindo cada vez mais. As pessoas não querem mais saber da Bíblia. Se pregarmos para esses “cristãos” que Maria também pode curar, estejamos certos de que quase toda a cristandade evangélica buscará apoio em Maria, pois não tem conhecimento bíblico, só querem milagres e prosperidade. Seu conhecimento é superficial, não tem nenhuma profundidade.

Hoje as igrejas não querem mais pregar a mensagem da cruz. Isso está fora de moda. Não querem mais Bíblia na igreja, querem shows e mais shows. Bíblia, oração, jejum, adoração, amor ao próximo, evangelismo, tudo isso está ultrapassado, nos dizem. É uma pena, mas o diabo está conseguindo arrebanhar milhares!

Crise moral e espiritual

Por falta de conhecimento bíblico, a moral e a espiritualidade caíram no descaso dentro das igrejas. Vejamos as famílias evangélicas. Podemos chamá-las de famílias cristãs? Não há mais cultos familiares, pois dizem que isso é perda de tempo. Preferem perder seu tempo com a novela das sete ou com o Programa do Ratinho! Conversas obscenas, palavrões e coisas semelhantes são muito comuns em lares “evangélicos”. Deus já não ocupa o 1º lugar na família. Divertimentos mundanos e desejos carnais são os novos “deuses” de muitas famílias cristãs. A Bíblia já não é mais O livro, é apenas UM livro.

As visitas aos necessitados foram esquecidas. A Escola Bíblica Dominical foi abandonada. Estudos bíblicos já não são realizados. E evangelismo de casa em casa? Também não fazemos mais. Temos as Testemunhas de Jeová, que nem são cristãos, mas nos dão o exemplo. Nós, porém, ficamos confinados ao templo, achando que assim ganharemos almas para Cristo. Mas não, “se a montanha não vem à igreja, a Igreja vai à montanha”!

E a juventude evangélica, como está? Indo de mal a pior. O que a juventude quer é cantar, tocar, “louvar”. Mas querem pregar? Não, isso eles não querem. Bíblia debaixo do braço não combina com a moda atual. Pregar nas praças? Não, isso é coisa para fanáticos, nos dizem. Falar do amor de Deus para um colega de escola? Também não, preferem indicar o último lançamento gospel! Precisamos mudar, e mudar muito.

Entre os pentecostais é comum achar que falar em línguas é sinônimo de espiritualidade. Ter dons espirituais é sinônimo de santidade. Mas será isso verdade? Até na igreja de Corinto as pessoas tinham dons espirituais, mas eram carnais! O homem espiritual não é o que tem dons espirituais, mas aquele que produz o fruto do Espírito (Gl.5.22-23). É disso que os cristãos precisam atualmente.

Nova Reforma

A Igreja precisa de uma Nova Reforma, de um avivamento. Quando se fala em avivamento as pessoas logo pensam numa igreja poderosa, cheia do Espírito, onde acontecem muitos milagres e curas. O avivamento pode trazer todas essas coisas, mas não começa por elas. O verdadeiro avivamento começa quando a Igreja volta à verdade pregada pelos apóstolos, e que se encontra na Bíblia. O avivamento vem pela Palavra! Quando a Igreja volta à pregação da Palavra, volta ao ensino das Escrituras, então o avivamento acontece. Um exemplo é a Reforma Protestante, que foi um verdadeiro avivamento na Igreja cristã, tendo início quando o monge Martinho Lutero redescobriu as verdades bíblicas. Hoje precisamos de algo parecido. Precisamos redescobrir as verdadeiras doutrinas apostólicas e deixar de lado todo esse lixo doutrinário trazido pelos neopentecostais e outros grupos que se dizem cristãos. Quando fizermos isso teremos igrejas fortes, com cristãos verdadeiros, soldados armados com a Espada do Espírito (Ef.6.17). Aí sim veremos Deus operar como nos dias apostólicos e teremos igrejas cheias do Espírito, pois onde a Palavra de Deus é pregada de verdade, aí também se encontra aquele que é a Verdade: Jesus!

Coloquei abaixo algumas coisas que devemos voltar a fazer, e que podem desencadear essa Nova Reforma:

Unidade: A Igreja, mais do que nunca, deve buscar a unidade. Não digo unidade dentro de uma denominação apenas, mas unidade entre as denominações. As igrejas devem ser mais unidas, não só em espírito, como dizem, mas também em doutrinas, pois “andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?” (Am.3.3).

Estudos bíblicos nas igrejas: As igrejas devem promover mais estudos bíblicos, incentivar os membros a lerem e estudarem a Bíblia constantemente, tudo de uma forma sistemática.

Culto familiar: As igrejas devem incentivar a prática do culto familiar. Ele deve voltar a ser um elemento fundamental nas famílias cristãs, o que deixou de ser há muito tempo!

Evangelismo de casa em casa: A Igreja deve criar vergonha na cara e seguir o exemplo das Testemunhas de Jeová, pregando o evangelho de casa em casa, como faziam os apóstolos. Se queremos crescimento nas igrejas, não só em quantidade, mas principalmente em qualidade, temos que promover evangelismos todas as semanas.

Abandono das inovações: A Igreja deve tomar cuidado com as inovações promovidas por muitas denominações, e abandonar as práticas antibíblicas. Isso não significa que tudo o que é novo seja antibíblico, mas todas as inovações devem ser vistas com olhos críticos, para não termos nas igrejas coisas estranhas à Bíblia.

Irmãos, vamos juntos promover uma Nova Reforma na Igreja, um grande avivamento. Voltemos à pregação da Palavra, voltemos à mensagem da cruz. Deixemos as inovações. Deixemos o “outro evangelho” (Gl.1.8-9), que é o “evangelho da prosperidade”, e voltemos à pregação do evangelho de Cristo (Mc.16.15). Voltemos à doutrina dos apóstolos (At.2.42) e deixemos os falsos profetas com seus falsos ensinos. Vamos reformar a Igreja!

sábado, 3 de outubro de 2009

Por amor vale a pena!

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Este texto é uma redação escrita por mim no início de 2002, um ano após minha conversão, quando eu estava no 1º ano do Ensino Médio. Encontrei-a num velho caderno e decidi publicá-la para nossa edificação.

Os nossos amores são os mais variados. Existem pessoas que amam acima de tudo um objeto. Outros, o dinheiro. Outros, ainda, uma pessoa. Mas diferentemente de todos esses, existem aqueles que amam o desconhecido, que amam aquilo que nunca viram, que amam Deus. Esses são os cristãos, que podem amar ao ponto de abandonar todos os antigos amores, para amarem somente Aquele que primeiro os amou.

Sim, os cristãos verdadeiramente amam. Mas eles amam porque Deus os amou primeiro (I Jo.4.19). O amor deles não vem deles mesmos, mas é um dom de Deus, o dom maior. Amor movido não pelo que vêem, mas pelo que crêem; amor que brota da fé.

Por esse amor tudo vale a pena! Vale a pena dar os bens aos pobres, ainda que isso venha a empobrecê-los; vale a pena ser açoitado, ainda que isso os leve à morte; tudo vale a pena por esse amor!

Nenhum desejo soberbo move esses homens; nada eles recebem pelo que dão, nada esperam receber; simplesmente amam. Amam aqueles que neles batem, os machucam, xingam e os perseguem. Recebem um tapa numa face e voltam a outra àquele que os machucou. Não pagam o mal com mal, nem o ódio com ódio; não estão debaixo da lei de talião, mas da Lei de Cristo, que assim diz: "amai-vos uns aos outros, como Cristo os amou" (Jo.13.34).

Sim, amar como Cristo nos amou. Qual foi o amor que Cristo demonstrou a nós? A Sua morte! "Ninguém tem maior amor do que esse: de dar alguém a própria vida em favor de seus amigos" (Jo.14.13), disse Jesus com respeito ao Seu amor. Amar como Ele, isso é o que fazem aqueles que negaram-se a si mesmos, pegando a sua cruz. Aqueles que "em face da morte, não amaram a própria vida" (Ap.12.11). Aqueles que, pelo seu amor tão semelhante ao de Cristo, foram chamados "cristãos" em Antioquia (At.11.26).

Sim, pelo amor a Deus – não por aquilo que Ele faz, mas por aquilo que Ele é – todas as coisas valem a pena. Fiel é Aquele que fez a promessa: "Eis que venho sem demora, para retribuir a cada um segundo as suas obras" (Ap.22.12).

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

João Calvino e a Predestinação

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Estes são alguns trechos da Instituição da Religião Cristã, de João Calvino, retirados do livro III, capítulos XXI, XXII e XXIII, onde Calvino trata da doutrina da predestinação.

Ninguém que queira ser considerado homem temente a Deus ousará simplesmente negar a predestinação, pela qual Deus adota a uns para a esperança da vida e destina a outros à morte eterna; mas muitos a cercam de sutilezas, sobretudo os que intentam que a presciência seja causa da predestinação. Nós admitimos ambas as coisas em Deus, mas o que agora afirmamos é que é de todo infundado fazer uma depender da outra, como se a presciência fosse causa e a predestinação, o efeito. Quando atribuímos a Deus a presciência, queremos dizer que todas as coisas estiveram e estarão sempre diante de seus olhos, de maneira que, em seu conhecimento, não há passado nem futuro, mas todas as coisas estão presentes. E de tal forma presentes que não as imagina como uma espécie de idéias ou formas, à maneira que nós imaginamos as coisas cuja recordação nosso intelecto retém, mas que as vê e contempla como se verdadeiramente estivesse diante dele. E essa presciência se estende por todo o orbe da terra e sobre todas as criaturas. Chamamos predestinação ao decreto eterno de Deus pelo qual determinou o que quer fazer de cada um dos homens. Porque Ele não os cria com a mesma condição, mas antes ordena a uns para a vida eterna, e a outros, para a condenação perpétua. Portanto, segundo o fim para o qual o homem é criado, dizemos que está predestinado à vida ou à morte [...]

Paulo, quando ensina que fomos escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo (Ef.1.4), certamente prescinde de toda consideração de nossa dignidade. Porque equivale a ter dito que, como o Pai celestial não achou em toda a descendência de Adão quem merecesse sua eleição, pôs seus olhos em Cristo, a fim de eleger como membros do corpo de Cristo aqueles a quem havia de dar vida. Estejam, pois, os fiéis convencidos de que Deus nos adotou em Cristo para sermos seus herdeiros, porque não éramos, por nós mesmos, capazes de tão grande dignidade e excelência. O qual o apóstolo mesmo nota também em outro lugar, quando exorta os colossenses a dar graças ao Pai que nos fez aptos para participar da herança dos santos (Cl.1.12). Se a eleição de Deus precede a graça pela que nos fez idôneos para alcançar a glória da vida futura, que poderá encontrar em nós que o mova a nos eleger? O que eu pretendo se verá de modo mais claro ainda por outro passo do mesmo apóstolo: "Escolheu-nos antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e sem mancha diante dele" (Ef.1.4); no que opõe o beneplácito de Deus a todos os nossos méritos [...]

Assim, na Epístola aos Romanos, na qual repete este tema mais a propósito e lhe dá continuidade mais por extenso, o apóstolo nega que sejam israelitas todos os que descendem de Israel (Rm.9.6-8); porque, embora eles, por causa do direito da herança, fossem todos benditos, nem todos, no entanto, chegaram igualmente à sucessão [...] Paulo, ainda que conceda que a posteridade de Abraão seja santa por causa do pacto, mostra que muitos deles eram estranhos e nada tinham que ver com essa posteridade, e isso não somente por terem degenerado de maneira que de legítimos se transformaram em bastardos, mas porque a especial eleição de Deus está acima de tudo, e só ela ratifica a adoção divina. Se uns fossem confirmados por sua piedade na esperança da salvação e outros fossem excluídos só por sua defecção e afastamento, com certeza Paulo falaria muito tola e absurdamente, transportando os leitores à eleição secreta. Mas se é a vontade de Deus – cuja causa nem se mostra nem se deve buscar – a que diferencia uns dos outros, de tal maneira que nem todos os filhos de Israel são israelitas, é em vão querer imaginar que a condição e estado de cada um tem seu princípio no que têm em si. Paulo vai adiante quando aduz o exemplo de Jacó e Esaú (Rm.9.10-13). Pois, uma vez que ambos eram filhos de Abraão, e estando ambos encerrados simultaneamente no seio da mãe, o fato de a honra da primogenitura ter sido transferida a Jacó foi como uma mutação prodigiosa, pela qual, no entanto, Paulo mantém que a eleição de um foi testemunhada, assim como a reprovação do outro. Quando se pergunta pela origem e causa disso, os doutores da presciência a põem nas virtudes de um e nos vícios do outro. Parece-lhes que com duas palavras resolvem a questão, e afirmam que Deus mostrou, na pessoa de Jacó, que escolhe aqueles que previu que seriam dignos de sua graça; e, na de Esaú, que reprova aqueles que previu que seriam indignos dela. Isso é o que essa gente ousadamente se atreve a sustentar. Mas que diz Paulo? E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem haviam praticado o bem ou o mal, para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama; já fora dito a ela: o mais velho servirá ao mais moço; como está escrito: a Jacó amei, mas detestei a Esaú (Rm.9.11-13). Se a presciência valesse de alguma coisa para estabelecer a diferença entre esses dois irmãos, a menção do tempo certamente seria inoportuna. Suponhamos que Jacó tivesse merecido a dignidade da eleição pelas virtudes que haveria de ter no futuro; por que Paulo diria que Jacó ainda não havia nascido? Ademais, por que teria acrescentado, inconsideradamente, que Jacó ainda não fizera bem algum – porque seria fácil replicar que, não estando nada oculto a Deus, a piedade de Jacó estivera sempre presente na ciência do Senhor. Se as obras merecessem a graça, é de todo certo que seria igual para Deus valorizá-las antes de Jacó nascer ou quando já estivesse velho. Mas o apóstolo, prosseguindo com o tema, resolve a dúvida e ensina que a adoção de Jacó não se deveu às obras, mas à vocação de Deus. Para as obras, o apóstolo não estabelece tempo, passado ou vindouro, e, ao opor expressamente as obras à vocação de Deus, destrói a propósito um com o outro, como se dissesse: devemos considerar qual foi a boa vontade de Deus, e não os que os homens aportaram por si. Por fim, é evidente que, pelas palavras "eleição" e "propósito", o apóstolo quis remover desta causa todas as causas que os homens costumam imaginar à margem do secreto desígnio de Deus [...]

Tratemos agora dos réprobos, dos quais o apóstolo também fala ali, na mesma ocasião. Pois assim como Jacó, sem ter ainda merecido coisa alguma com suas boas obras, é recebido na graça, do mesmo modo Esaú, sem ter cometido ofensa alguma, é rejeitado por Deus (Rm.9.13). Se voltássemos nossos olhos apenas para as obras, faríamos grave injúria ao apóstolo, como se não tivesse visto o que é evidente para nós. Ora, prova-se que ele não o tenha visto, porque insiste particularmente nisto: em que, antes de fazer bem ou mal algum, um foi escolhido, e o outro, rejeitado; de onde se conclui facilmente que o fundamento da predestinação não consiste nas obras. Além disso, depois de ter suscitado a questão de se Deus é injusto, não alega que Deus pagou a Esaú segundo sua malícia – o que seria a mais clara e certa defesa da justiça de Deus -, mas resolve a questão com uma solução bem diversa: que Deus suscita os réprobos para exaltar neles sua glória. E finalmente põe como conclusão que Deus tem misericórdia de quem deseja, e que endurece a quem lhe apraz (Rm.9.18). Não vemos, então, como o apóstolo entrega um e outro somente à vontade de Deus? Se nós, pois, não podemos assinalar outra razão de Deus fazer misericórdia aos seus senão porque lhe agrada, tampouco disporemos de outra razão para rejeitar e afastar os outros senão pelo mesmo beneplácito. Pois quando se diz que Deus endurece ou que faz misericórdia a quem lhe agrada, é para advertir os homens de não buscarem causa nenhuma fora de sua vontade [...]

Muitos, fingindo que querem manter a honra de Deus e evitar que se lhe faça alguma acusação falsamente, admitem a eleição, mas de tal maneira que negam que alguém seja reprovado. Mas nisto se enganam grandemente, porque não existiria eleição, se, por outro lado, não houvesse reprovação. Diz-se que Deus separa aqueles que adota para que se salvem. Seria, pois, um notável desvario afirmar que os outros alcançam por casualidade ou adquirem por sua indústria o que a eleição dá a poucos. Assim, aqueles por que Deus passa ao eleger, reprova-os; e isto só pela razão de que Ele os quer excluir da herança que predestinou para seus filhos. Não se pode tolerar a obstinação dos que não permitem que se lhes ponha freio com a Palavra de Deus, tratando-se de um juízo compreensível seu, que até os próprios anjos adoram.

domingo, 20 de setembro de 2009

Teologia e Vida com cara nova

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Como os irmãos já perceberam, o Teologia e Vida agora está com um novo visual. O responsável por tal façanha é o nosso amado irmão Vinícius Pimentel, do blog Voltemos ao Evangelho, a quem oferecemos nossos sinceros agradecimentos. Vini, que Deus continue te abençoando e que você continue usando esse dom para a glória dEle!

Esperamos que essa mudança possa tornar este blog um veículo ainda mais eficaz para propagar as doutrinas da graça, para a glória de Deus e para a nossa alegria!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

João, Policarpo e os Hereges

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Este texto é um trecho do livro Contra as Heresias, de Ireneu de Lião (130-202 d.C.), discípulo de Policarpo (70-160 d.C.).

Podemos ainda lembrar Policarpo, que não somente foi discípulo dos apóstolos e viveu familiarmente com muitos dos que tinham visto o Senhor, mas que, pelos próprios apóstolos, foi estabelecido bispo na Ásia, na Igreja de Esmirna. Nós o vimos na nossa infância, porque teve vida longa e era muito velho quando morreu com glorioso e esplêndido martírio. Ora, ele sempre ensinou o que tinha aprendido dos apóstolos, que também a Igreja transmite e que é a única verdade. E é disso que dão testemunho todas as Igrejas da Ásia e os que até hoje sucederam a Policarpo, que foi testemunha da verdade bem mais segura e digna de confiança que Valentim* e Marcião* e os outros perversos doutores. É ele que no pontificado de Aniceto, quando esteve em Roma, conseguiu reconduzir muitos destes hereges, de que falamos, ao seio da Igreja de Deus, proclamando que não tinha recebido dos apóstolos senão uma só e única verdade, aquela mesma que era transmitida pela Igreja. E há os que ouviram dele que João, o discípulo do Senhor, tendo ido, um dia, às termas de Éfeso e tendo notado Cerinto* lá dentro, precipitou-se para a saída, sem tomar banho, dizendo ter medo que as termas desmoronassem, porque no interior se encontrava Cerinto, o inimigo da verdade. O próprio Policarpo, quando Marcião, um dia, se lhe avizinhou e lhe dizia: "Prazer em conhecê-lo", respondeu: "Eu te conheço como o primogênito de Satã"; tanta era a prudência dos apóstolos e dos seus discípulos, que recusavam comunicar, ainda que só com a palavra, com alguém que deturpasse a verdade, em conformidade com o que Paulo diz: "Foge do homem herege depois da primeira e da segunda correção, sabendo que está pervertido e é condenado pelo seu próprio juízo" (Tt.3.10-11). Existe também uma carta importantíssima de Policarpo aos filipenses na qual os que desejam e se importam com a sua salvação podem conhecer as características da sua fé e a pregação da verdade. Também a igreja de Éfeso, que foi fundada por Paulo e onde João morou até os tempos de Trajano, é testemunha verídica da tradição dos apóstolos.

* Cerinto, Marcião e Valentim: hereges gnósticos do século II d.C.

Para maiores informações sobre Policarpo, veja o livro Padres Apostólicos, que traz duas epístolas de Policarpo escritas aos filipenses e o relato de seu martírio escrito pela Igreja de Esmirna. No blog Voltemos ao Evangelho também há um vídeo muito proveitoso onde John Piper narra o martírio de Policarpo.

sábado, 12 de setembro de 2009

Meu Espinho na Carne

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Este texto é um excerto do meu diário, do dia 11/09/2009. Publico aqui visando a edificação de alguns que, porventura, ainda lutam com seu espinho na carne.

"E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte" (II Co.12.7-10).

Hoje já faz mais de uma semana. Segunda-feira, dia 31/08, eu desmaiei no trabalho, depois de ter visto no chão do banheiro o que pensei ser gotas de sangue. Quando percebi que minha pressão estava caindo saí rapidamente do banheiro e me sentei no banco em frente à secretaria, onde perdi completamente os sentidos e caí no chão. Fiquei desacordado por alguns segundos e quando voltei a mim várias pessoas já estavam ao meu redor, tentando ajudar. Segundo me recordo, já fazia uns dois anos que isso não acontecia. Meu último desmaio havia acontecido na igreja, quando eu cortei minha mão no púlpito, antes da Escola Bíblica começar.

Essa hemofobia (medo de sangue) me persegue desde meus cinco anos. Com essa idade eu desmaiei pela primeira vez, depois de ter machucado seriamente meu polegar da mão direita na porta da casa da minha tia. Creio que essa experiência me traumatizou e foi a causa primária de todos os mais de dez desmaios que ocorreram durante toda a minha vida, até agora. Quando criança fui a psicólogos procurando uma solução para esse problema, mas eles não puderam me ajudar. Desde cedo também ficou bastante claro para mim que eu mesmo não poderia me ajudar, porque esse medo é algo que supera meu autocontrole.

Eu não sei exatamente qual era a natureza do "espinho na carne" de Paulo, mas de uma coisa eu tenho certeza: meu "espinho na carne" é minha hemofobia! Depois da minha conversão, aos 14 anos, passei a pedir incessantemente a Deus a cura dessa fobia, motivado por outra cura realizada por Ele na minha vida. Pedi não três, mas dezenas e dezenas de vezes para que Ele afastasse tal espinho de mim. No entanto, ainda hoje, mais de oito anos depois, essa fraqueza continua bem presente. Em nenhum momento eu ouvi Deus me dizer, como Ele disse a Paulo, "a minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza", mas à medida que eu fui crescendo na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo, o silêncio de Deus passou a ter para mim o mesmo significado que Suas palavras a Paulo.

Hoje eu não tenho mais dúvidas de que é da vontade de Deus que eu continue com esse mensageiro de Satanás, talvez até o fim da vida. Esse espinho me foi posto na carne antes da minha conversão, mas certamente o desígnio divino era que sua utilidade se mostrasse quando eu fosse feito cristão. Ele não só me esbofeteia e abate meu orgulho quanto àquilo que tenho aprendido de Deus pela Sua Palavra ("a grandeza das revelações"), mas também é um instrumento da disciplina divina contra outros pecados que assediam minha alma (Hb.12.1-13), principalmente a lascívia em pensamento. Sempre que eu sofro um desmaio Deus faz com que eu me recorde da minha fraqueza e paradoxalmente me fortalece, levando-me a confiar e depender mais dEle e fazendo-me reconhecer que apenas Ele é meu refúgio e minha fortaleza (Sl.46.1), minha força e meu cântico (Sl.118.14). É nesses momentos que eu clamo com Paulo: "quando sou fraco, então, é que sou forte"!

Apesar disso, devo confessar que minha hemofobia me traz um receio. Temo que se algum dia eu tiver que sofrer torturas físicas por amor a Jesus, eu não resista e O negue diante dos homens, como Jerônimo de Praga*, que se retratou de seus ensinos inicialmente por medo da fogueira. Eu não tenho medo da morte, e Deus, que conhece meu coração, sabe que digo isso com sinceridade. É muito certo para mim que "o viver é Cristo, e o morrer é lucro" (Fp.1.21), porque para o cristão morrer é "partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor" (Fp 1.23). Mas o sofrimento físico é algo que me deixa absolutamente aterrorizado.

Tenho esse receio desde a minha conversão, quando, por acreditar que Deus me usaria como missionário em algum país da Janela 10/40**, o martírio era uma possibilidade muito real para mim. Eu ainda não sei por quais caminhos Deus me conduzirá, mas se me aguardam perseguições, torturas físicas e quem sabe o martírio, que Deus me dê forças para suportar tudo por amor a Cristo e glorificar a Deus com o nome de cristão (I Pe.4.16).

Enfim, que eu aprenda cada dia mais a sentir prazer e me gloriar nessa minha fraqueza, para que sobre mim repouse o poder de Cristo! Amém.

Glossário

* Jerônimo de Praga (1379-1416): discípulo de Jan Huss (1369-1415), pré-reformador tcheco. Após a morte de Huss, Jerônimo foi preso e induzido a retratar-se, o que ele terminou por fazer, depois de muito sofrimento na prisão. No entanto, arrependeu-se e se retratou de sua retratação, sendo finalmente condenado à fogueira, como Huss havia sido um ano antes.

** Janela 10/40: uma faixa de terra que vai do oeste da África até a Ásia, entre os graus 10 e 40 acima da Linha do Equador, formando um retângulo. A maioria dos países dessa região é extremamente hostil ao Cristianismo, abrigando o maior número de povos não-evangelizados da Terra.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Agostinho e a Correção dos Pecados Alheios

1 Comentário

Este texto é um comentário de Agostinho sobre Gálatas 6.1, retirado do seu livro Explicação de Romanos e Gálatas.

Nada prova mais que um homem é espiritual quanto seu modo de tratar o pecado alheio; se procura mais libertar o outro que insultá-lo, se mais ajudá-lo que gritar com ele, e assim toda iniciativa que suas faculdades lhe concedem. Por isso diz o Apóstolo: “Irmãos, caso alguém seja apanhado em alguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi esse tal”. Em seguida, para que ninguém pense estar corrigindo um pecador ao irritar-se com esse e dele zombar insolentemente, ou maldizê-lo com soberba, considerando-o incurável, diz: “Com espírito de mansidão, cuidando de ti mesmo, para que também tu não sejas tentado”. Nada inclina mais à misericórdia que o pensamento do perigo do próprio pecado. Desse modo, quis que não omitissem a correção aos irmãos, mas tampouco que se entregassem a contendas. Com efeito, muitos homens, quando são despertados do sono querem litigar, ou querem voltar a dormir se forem impedidos de litigar. Portanto, conservem a paz e o amor no coração com o pensamento do perigo comum.

Quanto, porém, ao modo de falar, ou seja, se as palavras a serem proferidas devem ser mais ásperas ou mais brandas, é preciso ser regulados pelo que se mostra necessário para a salvação daquele que é corrigido. Com efeito, diz em outra passagem: “Ora, um servo do Senhor não deve brigar; deve ser manso para com todos, competente no ensino, paciente” (II Tm.2.24). E para que alguém não pense por isso que se deve abandonar a correção do erro do outro, atenção ao que acrescenta: “É com suavidade que deve corrigir os opositores” (II Tm.2.25). Como conciliar a suavidade com o dever de corrigir senão conservando no coração a suavidade e borrifando um quê do amargo do remédio nas palavras da correção? [...]

Por isso, jamais deveríamos assumir a tarefa de repreender o pecado alheio, a não ser que, examinando nossa consciência com interrogações internas, possamos responder-nos sinceramente diante de Deus que o faremos com amor. Porque se injúrias ou ameaças ou mesmo perseguições por parte daquele a quem estiveres por repreender tiverem afligido teu espírito, e mesmo assim imaginares que ele possa ser curado por meio de ti, não lhe digas coisa alguma enquanto tu não tiveres sido curado primeiro, para evitar que talvez consintas em movimentos carnais, inclinando-te a ofendê-lo e ofereças tua língua como arma da iniqüidade ao pecado (cf. Rm.6.13) e assim retribuas mal por mal ou maldição por maldição (I Pe.3.9). Tudo o que disseres com ânimo ferido é impulso de quem castiga, não caridade de quem corrige.

Ama, e dize o que queiras; de modo algum será uma maldição o que parecer maldição, se te lembrares e estiveres consciente de que, pela espada da palavra de Deus (cf. Ef.6.17; Hb.4.12), queres libertar o homem do assédio dos vícios. Isso é necessário, porque é possível que aconteça, e muitas vezes acontece, que tu assumas com amor uma tal tarefa e comeces a realizá-la ainda com amor no coração; mas, no meio da ação, enquanto ele resistir a ti, insinua-se algo que te faça passar do atingir o vício ao ser hostil ao próprio homem. Nesse caso, é necessário, em seguida, que te laves com lágrimas um tal pó, e que te lembres de que é muito mais salutar não ensoberbecer-nos pelos pecados alheios; visto que pecamos ao corrigi-los quando a ira daquele que peca mais facilmente nos faz enraivecer do que sua miséria nos faça misericordiosos.

Sobre minha ausência

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Irmãos, graça e paz!

Estive bastante ausente do Teologia e Vida nos últimos dois meses por questões de trabalho. Fiz algumas horas extras e sobrou pouco tempo para me dedicar ao blog. Retorno com um texto de Agostinho, e daqui a alguns dias, se Deus me permitir, com alguns textos mais autobiográficos e introspectivos.

Obrigado pelas visitas e que Deus continue abençoando vocês!

André Aloísio
O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Crente perde a salvação?

17 comentários

Graça e paz, irmãos!

Recentemente, participando de uma reunião de estudo bíblico, fiquei extremamente decepcionado e chateado ao ver como muitos cristãos tem uma visão tão rasa a respeito da cruz do Senhor Jesus Cristo e de Sua graça salvadora. Imaginavam fortemente que um salvo poderia perder sua salvação, e alguns chegaram ao cúmulo de dar a entender uma manutenção da salvação por meio de obras, falando que Deus, naquele grande dia, olhará para a nossa conduta de vida para decidir nosso futuro eterno, e não para o sangue de Cristo que nos cobre e justifica.

Gostaria de tecer alguns comentários rápidos sobre isso. Não pretendo ser exaustivo, há várias literaturas interessantes que posso sugerir a quem quiser e que são bem completas, mas quero apenas dar algumas pitadas para atiçar seu apetite espiritual.

Permitam-me dizer, com base na suprema autoridade das Escrituras, que um homem verdadeiramente salvo por Jesus Cristo não pode perder sua salvação. Essa idéia não é de Agostinho, Calvino, Spurgeon, ou qualquer outro: é uma doutrina verdadeiramente bíblica e defendida amplamente por Jesus e pelos apóstolos.

A obra de Jesus em favor de Seu povo garante que não perdemos a salvação

"Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção." (Hb 9:12)

"Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles." (Hb 7:25)

"E a vontade daquele que me enviou é esta: que eu não perca nenhum de todos os que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia." (Jo 6:39)

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Dou-lhes a vida eterna, nunca perecerão, e ninguém as arrebatará de minha mão" (Jo 10:28)

"Todas as coisas cooperam juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito. Porque aos que de antemão conheceu, a estes também predestinou para serem conformes a imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou." (Rm 8:28-30) (pasmem, pasmem, é "glorificou", e não "glorificará"!)

O caráter e atributos de Deus garantem que não perdemos a salvação

"Estou plenamente convencido de que Aquele que em vós começou a boa obra vai completá-la até ao dia de Cristo Jesus" (Fp 1:6)

"E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará." (1 Ts 5:23,24)

"Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória" (Jd 24)

"Quem nos separará do amor de Cristo?" (Rm 8:35)

"Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis" (Rm 11:29)

O crente é regenerado e por isso nunca cairá definitivamente, mas viverá em santificação

"Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?" (1 Jo 5:4,5)

"Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus." (1 Jo 3:9)

"Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis." (Ez 36:26,27)

"Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim." (Jr 32:40)

Conclusão

Irmãos, não quis falar tanto com minhas próprias palavras: citei alguns textos das Escrituras que falam por si só. Sinceramente, poderia citar muitos outros textos e escrever páginas e mais páginas defendendo essa verdade, porque a Bíblia fala muito disso. Poderia expôr outras verdades preciosas como a expiação, justificação, eleição, predestinação, selo do Espírito, união com Cristo, etc, e todas elas nos remeteriam à mesma conclusão: o salvo não perde sua salvação, antes, ele sempre persevera até o fim, mantendo sua fé em Jesus e vivendo uma vida de santificação, pelo poder do Espírito.

Gostaria de convidar vocês a pensarem sobre esse assunto. Não é saudável nos esquivarmos de assuntos que nos parecem complicados, mas que são coisas de que a Bíblia fala muito. Pensem nisso tudo, estudem a Bíblia e procurem compreender realmente o ensino bíblico sobre essa questão. É o meu desejo ardente e minha oração que todos vocês possam se alegrar em Jesus Cristo verdadeiramente, compreendendo um pouco mais de Sua graça e amor e sendo testemunhas de que Jesus realmente é o Perfeito Salvador, que nos salva completamente, inteiramente pelo Seu poder e Seus méritos, e não por nada que há em nós. É graça do começo ao fim.

Que Deus lhe conceda plena convicção de sua salvação. E pode ter certeza de que, se você nasceu de novo, isso não fará você se tornar relaxado em sua vida espiritual, pelo contrário: lhe trará medidas cada vez maiores de alegria nEle, pois você não estará obedecendo movido por temor de perder sua salvação, e sim por gratidão e pelo Espírito Santo que habita em você e o impulsiona eficazmente a viver uma vida centrada em Cristo e para Sua glória.

Estou sempre à disposição para conversar com vocês!

Que Deus os abençoe tremendamente!

nEle, o único e suficiente Salvador,
Davi.

sábado, 25 de julho de 2009

O que é necessário para a salvação?

2 comentários

Este texto é um e-mail enviado por mim à Lista Cristãos Reformados, dia 22/07/2009, em resposta ao questionamento de um irmão sobre o que é necessário para a salvação, considerando o seguinte contexto: um missionário prega num local remoto uma porção das Escrituras suficiente para que alguém tenha fé verdadeira e seja salvo. Porém, por alguma razão esse missionário não pode continuar sua missão nesse local, e esse alguém que ouviu a pregação do missionário passa a vida inteira apenas com aquela informação inicial, sem nada mais das Escrituras. Esse alguém seria salvo?

Estive meditando sobre esse assunto nos últimos dias e por isso não cheguei a opinar até o momento. Depois desse tempo de reflexão cheguei a uma conclusão que gostaria de compartilhar com os irmãos.

Creio que todos nós concordamos com as seguintes asseverações:

- A revelação geral não é suficiente para salvar, mas é suficiente para condenar e nos tornar indesculpáveis (Rm.1.18-32);

- Apenas a revelação especial é suficiente para salvar, e essa revelação está contida nas Escrituras (II Tm.3.15-17).

Diante dessas verdades, surge-nos a pergunta: "O que é necessário para a salvação?".

Eu creio que essa questão é genérica demais e esse foi o grande motivo para a variedade de opiniões expostas aqui. Digo isso porque todos sabemos que a salvação pode ser dividida em três tempos (ou passos) que são inseparáveis:

1) Passado: Fomos salvos da culpa do pecado (justificação);
2) Presente: Estamos sendo salvos do poder do pecado (santificação);
3) Futuro: Seremos salvos da presença do pecado (glorificação).

Sendo assim, nossa pergunta poderia ser mais específica como: "O que é necessário para a justificação?". Nesse caso a resposta é mais fácil. Alguém que conheça algo da natureza de Deus, da natureza do homem e do pecado, da salvação providenciada por Deus através de Cristo, de como essa salvação é aplicada a nós pelo Espírito, e da maneira pela qual podemos ser justificados por Deus através da fé em Cristo, está em condições de ser justificado.

Se a pergunta for "O que é necessário para a santificação?", deveremos falar sobre a constante leitura da Palavra, a oração, a comunhão da Igreja, a participação nas ordenanças, etc. Nesse processo a progressão no conhecimento do Senhor, através das Escrituras, é absolutamente fundamental. Alguém que não saiba ler poderá participar desse progresso ouvindo a exposição das Escrituras na Igreja.

Finalmente, para a pergunta "O que é necessário para a glorificação?", a resposta é a perseverança até o fim: "Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo" (Mt.24.13).

Creio que até aqui todos nós, como bons reformados, concordamos. Então chegamos à situação hipotética colocada pelo irmão, de um missionário que só tem tempo para anunciar uma pequena parte das Escrituras em algum lugar remoto, suficiente apenas para a justificação de alguém. No caso colocado por ele essa pessoa justificada passa a vida inteira só com aquela informação inicial, sem nada mais das Escrituras. Mas aqui cabe uma pergunta: seria isso possível? Poderia alguém ser justificado, mas não estar sendo santificado pelos meios que Deus instituiu? Se a justificação e a santificação são inseparáveis, o que todos concordamos, a resposta deve ser não. Portanto, de duas uma: ou essa pessoa que ouviu o evangelho pela boca desse missionário não foi justificada realmente, ou essa pessoa realmente foi justificada, mas não muito depois disso terá acesso aos meios de santificação (Escrituras, Igreja, etc) através de outros missionários.

sábado, 11 de julho de 2009

D.M. Lloyd-Jones e o Livre-Arbítrio

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Este é um trecho do livro O Soberano Propósito de Deus, de D.M. Lloyd-Jones, que consiste em uma série de exposições sobre Romanos 9.

Há pessoas que parecem pensar que se você rejeitar esta doutrina de Paulo ficará numa posição feliz. Você dirá: "Não creio que é Deus que elege e que Ele salva a quem Ele quer, e a quem Ele quer endurece. O homem só pode ser livre, deve depender da própria escolha do homem, da decisão do homem". Mas, esperem um pouco, vejamos a coisa assim: deixem que eu lhes mostre onde vocês ficarão se rejeitarem a doutrina de Paulo aqui ensinada. Vejam Atos 28.24. Eis aí o apóstolo Paulo; ele reuniu os judeus em seu alojamento privado em Roma, pregou-lhes o evangelho, e o citado versículo diz: "E alguns criam no que se dizia; mas outros não criam". Não seria esse o problema? Por que alguns crêem e outros não? Aqueles ouvintes eram judeus, todos iguais: mesmos antecedentes, mesmo tudo; mas alguns creram e alguns não. Quantas vezes acontece isso numa família! Dois irmãos, com o mesmo pai e a mesma mãe, o mesmo lar, a mesma criação, alunos da mesma escola, frequentadores da mesma capela e da mesma Escola Dominical, e conhecedores do mesmo evangelho - tudo igual. Um crê, outro não. Que é que decide isso? Que é que o determina?

"Ah", dirá alguém, "é muito simples. O livre-arbítrio!" Muito bem, um por sua livre escolha crê, o outro por sua livre escolha não crê - e você acha que liquidou o assunto quando disse isso, mas não o liquidou. Este é o problema que você deixa comigo, e com todos os psicólogos: por que um escolhe crer e o outro escolhe não crer? Quero saber isso - por quê? Por que foi que alguns creram na pregação de Paulo, enquanto outros não creram? Mas o que é que faz alguns quererem crer e outros não?

"Ah, bem", você diz, "um viu as coisas de um modo, o outro as viu de maneira diferente." Sim, porém você ainda não me ajudou. Vejam vocês, temos que fazer tais perguntas. "Bem, eu não sei", responde-me o tal, "um deles era de um jeito, o outro era diferente." Tudo bem! No entanto, diga-me, por que um deles era de um jeito e o outro era diferente? Aí vamos um pouco mais para trás. "Bem", você diz, "um deve ter nascido assim, e o outro deve ter nascido diferente." Certo! Acaso somos responsáveis pelo que somos ao nascer? Você é responsável pelas potencialidades com as quais nasceu? Claro que não. Mas, se você rejeitar o ensino que temos aqui, em Romanos, capítulo 9, é nessa posição que você é deixado - bem, porque acontece que ele nasceu como nasceu; o outro não crê porque acontece que ele nasceu como nasceu; ele não tem controle sobre isso.

Essa é a questão vital: que é que determina a vontade de um homem? E no momento que você faz essa pergunta, ela se volta para uma destas duas coisas: ou é o propósito de Deus, ou então é puro acidente, é questão de glândulas, de criação, de mil e um fatores que estão inteiramente fora do seu controle. Em nenhum caso você tem livre-arbítrio. Desde que o homem caiu não existe tal coisa. O único homem que teve livre-arbítrio foi Adão, e sabemos o que ele fez com isso. Daí em diante todos nós nascemos em pecado, "formados em iniquidade". E o que faz de qualquer homem um cristão é o propósito e a vontade e a escolha de Deus.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

João Calvino: Vida e Obra

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Hoje está sendo comemorado entre os reformados do mundo todo os 500 anos do nascimento de João Calvino, grande reformador do século XVI e certamente um dos maiores teólogos de todos os tempos. Para comemorar essa data tão significativa, fizemos uma coletânea de sites e livros em português que tratam da vida e obra do reformador francês.

Livros de Calvino

Obras Teológicas e Devocionais

A Verdadeira Vida Cristã (Editora Cristã Novo Século)
A Instituição da Religião Cristã Tomo 1 - Tomo 2 (Editora Unesp)
Cartas de João Calvino (Editora Cultura Cristã)
Ensino sobre o Cristianismo - Resumo das Institutas por J.P.Wiles (Editora PES)
O Livro de Ouro da Oração (Editora Cristã Novo Século)

Comentários

Salmos (Vol.1) (Editora Fiel)
Salmos (Vol.2) (Editora Fiel)
Salmos (Vol.3) (Editora Fiel)
Salmos (Vol.4) (Editora Fiel)
Daniel (Vol.1) (Editora Fiel)
Daniel (Vol.2) (Editora Fiel)
Romanos (Editora Fiel)
I Coríntios (Editora Fiel)
II Coríntios (Editora Fiel)
Gálatas (Editora Fiel)
Efésios (Editora Fiel)
Pastorais (Editora Fiel)

Livros sobre Calvino

A Arte Expositiva de João Calvino - Steven J. Lawson (Editora Fiel)
A Vida de João Calvino - Alister McGrath (Editora Cultura Cristã)
A Vida e a Morte de João Calvino - Theodoro de Beza (Editora Luz Para o Caminho)
Calvino de A a Z - Hermisten Costa (Editora Vida)
Calvino e a responsabilidade social da Igreja - Augustus Nicodemus Lopes (Editora PES)
Calvino, teólogo do Espírito Santo - Augustus Nicodemus Lopes (Editora PES)

Sites

A Bíblia, o Jornal e a Caneta: Allen Porto está fazendo coletâneas dos posts sobre Calvino nos mais diversos blogs reformados
JoãoCalvino.Net: blog com resumos e comentários das Institutas
Monergismo: dezenas de textos de/sobre Calvino
Teu Ministério: informações e links interessantes sobre Calvino

domingo, 5 de julho de 2009

Bens reservados àqueles que gozam de Deus

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Este é um trecho do livro Proslógio, do escolástico Anselmo de Cantuária (1033-1109).

Oh! aquele que fruirá desse bem! O que estará ou não reservado para ele? Certamente haverá para ele tudo o que Deus quiser e nada haverá de tudo o que Deus não quiser. Haverá, ali, sem dúvida, os bens do corpo e da alma; os que "o olho nunca viu, o ouvido nunca ouviu, nem o coração humano nunca imaginou" (I Co.2.9). Por que, então, ó homem miserável, vagueias aqui e acolá à procura do bem para o teu corpo e a tua alma? Ama aquele único Bem em que se encontram todos os bens e estarás satisfeito. Deseja aquele Bem sumamente simples, que contém todos os bens, e será o suficiente.

O que estás a amar, ó minha carne; o que estás a desejar, ó minha alma? Somente ali, nEle, é que se encontra o que vós amais e tudo o que desejais. Se amais a beleza, então, deveis saber que os "justos resplandecerão como o Sol" (Mt.13.43); se desejais a rapidez ou a força ou a liberdade do corpo de maneira que nada a ele possa opor-se, sabei que os justos "serão semelhantes aos anjos de Deus" (Mt.22.30), porque "depois de semeado o corpo animal, surgirá o corpo espiritual" (I Co.15.44), certamente pelo poder divino e não pela natureza. Se procurais uma vida longa e cheia de saúde, é nEle que se encontra a eternidade sadia e a sanidade eterna, porque os justos viverão eternamente e, também, porque "a saúde vem aos justos do Senhor" (Sl.37.39). Se quereis ser saciados, eles "serão saciados quando aparecer a glória do Senhor" (Sl.17.15); se procurais a ebriedade, "estarão embriagados com a abundância da casa do Senhor" (Sl.36.8). Se sois atraídos pela música, ali encontram-se os coros dos anjos cantando sem fim a Deus. Se cobiçais o prazer - o prazer puro, não o imundo -, "ó Senhor, tu lhes saciarás a sede com a torrente dos teus prazeres" (Sl.36.9); se a sabedoria, será revelada aos justos a própria sabedoria de Deus; se a amizade, os justos amarão a Deus mais que a si mesmos, e cada um deles amará aos outros como a si mesmo, e Deus os amará mais do que eles possam amar a si mesmos, porque eles amarão a Ele e a si e amar-se-ão entre si mesmos mas por meio dEle, quando, ao contrário, Ele amará a Si mesmo e a eles por meio de Si mesmo. Se é a concórdia que vós buscais, os justos terão todos uma só vontade, porque, ali, não haverá outra vontade a não ser a de Deus; se o poder, eles terão uma vontade onipotente como a de Deus porque, assim como Deus pode o que quer por Si mesmo, assim eles poderão tudo o que quiserem, por meio dEle. E, desde que eles hão de querer tudo o que Deus quer, Deus, portanto, quererá aquilo que eles quiserem; e o que Ele quiser não poderá não ser. Se as honras e as riquezas, Deus elevará os seus servos bons e fiéis acima de todas as coisas, de forma a serem chamados, e o serão realmente, "filhos de Deus" (Rm.8.16) e se encontrarão lá, onde estará o Seu Filho; e lá, eles serão "os herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo" (Rm.8.17). Se desejais a verdadeira segurança, eles ficarão plenamente seguros de que nunca lhes faltará, de modo algum, a felicidade, porque terão a certeza de que, espontaneamente, não abandonarão a Deus, e Deus, que os ama, não poderá abandonar a eles, que O amam. E nada existe de mais poderoso do que Deus, que possa afastá-los dEle contra a vontade deles e a de Deus.

Oh! como há de ser grande e agradável essa alegria, lá onde se encontra tão grande Bem! Ó coração humano, ó coração pobre, atribulado, inquieto, como hás de sentir-te feliz se possuíres, em abundância, desses bens! Sonda o teu âmago, para ver se cabe nele a alegria de tanta felicidade!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Invocai o Seu Nome - Isaías 12:4

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"E direis naquele dia: Dai graças ao SENHOR, invocai o seu nome, tornai conhecidas entre os povos as suas obras, proclamai como o seu nome é majestoso." (Is 12:4)

Após falar sobre dar graças ao Senhor, o profeta Isaías segue nos exortando a invocar o Seu nome. Observe bem a ordem com que o Espírito dispôs as instruções: primeiro, as graças, ou seja, o louvor, o reconhecimento de quem é Deus, de Suas bençãos maravilhosas sobre nós; e depois, invocar o nome Dele.

Invocar o nome de Deus, em palavras mais simples, significa chamar por Ele. Veja que este é um imperativo do profeta, e a pergunta que nos fazemos é: por que devemos invocar o Seu nome? Tenho dois motivos em mente, os quais quero compartilhar com vocês.

Primeiramente, devemos invocá-Lo por ansiar desfrutar de Sua comunhão! Queremos que Deus esteja perto de nós, o mais perto possível, porque amamos a Sua companhia, nos deliciamos na Sua amizade, e não há nada mais sublime para nós do que vermos Sua glória, conhecê-Lo e experimentá-Lo. Nosso coração regenerado grita: "Assim como a corça anseia pelas águas correntes, também minha alma anseia por Ti, ó Deus! Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e verei a face de Deus?" (Sl 42:1-2); levamos a sério o convite de alegria do salmista, que diz: "Provai e vede que o SENHOR é bom." (Sl 34:8); queremos ser como Moisés, pois diz a Escritura que "O SENHOR falava com Moisés face a face, como quem fala com o seu amigo" (Ex 33:11).

Ah, meus irmãos, o nosso coração nascido de novo deseja todas essas coisas, mas muitos de nós as deseja tão fracamente, tão morosamente! Devemos desejar o próprio Deus mais do que tudo em nossas vidas! Devemos chamá-Lo o tempo todo, e cultivar nosso relacionamento de intimidade com o nosso Pai querido, através da oração, meditação na Bíblia, comunhão dos santos, vivendo uma vida de constante e profunda adoração. Que esta seja a nossa oração: "Te queremos, te queremos, oh Deus!".

Em segundo lugar, devemos invocá-Lo por necessitarmos de Sua intervenção poderosa em nossas vidas. Deus diz: "Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás" (Sl 50:15). Veja a ordem de Deus para clamarmos a Ele no momento da angústia, seguida de duas promessas maravilhosas: livramento para o homem que clama e glória para o Deus que responde!

Queridos irmãos, que grande ensinamento salta aos nossos olhos, diante de um texto como esse! A glória de Deus e o bem de Seu povo estão intimamente ligados: Deus exalta o Seu nome ("tu me glorificarás") abençoando Seu povo ("eu te livrarei"). Cristão, clame a Deus no dia de sua angústia: Ele vai livrá-lo, e nesse livramento você o glorificará, pois sua própria vida abençoada testemunhará sobre Ele, junto com seus lábios que explodirão de louvores ao grande Libertador! Que Deus bendito!

Meditem nessas coisas, irmãos! Que a intimidade com Jesus e o Seu agir poderoso em nossas vidas nos acompanhem continuamente! Invoquemos sempre o nome que está acima de todo nome, o nome precioso de Jesus Cristo.

Abraços, de seu irmão,
Davi.

domingo, 21 de junho de 2009

Cheios do Espírito Santo

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Este estudo foi ministrado por mim na Escola Bíblica Dominical da IEQ Jardim Von Zuben, nos dias 3 e 10 de dezembro de 2006.

"E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito." (Ef.5:18)

Introdução: A importância do Espírito Santo

O Espírito Santo é uma pessoa divina, assim como o Pai e o Filho, possuindo atributos divinos (Sl.139:2; I Co.2:10,11) e características pessoais (Jo.14:16,17,26), sendo a terceira pessoa da Trindade.

Ele esteve envolvido na obra da criação (Gn.1:2) e é o responsável por aplicar a obra da redenção nos pecadores. Ele é quem convence o homem do pecado (Jo.16:8), regenera o homem dando-lhe uma nova natureza (Jo.3:5; Tt.3:4-7), santifica o crente (II Ts.2:13; I Pe.1:2) e por fim vivificará nosso corpo mortal na ressurreição (Rm.8:11).

Todo cristão recebe o Espírito Santo na conversão (I Co.12:13) e presentemente tem o Espírito Santo (Rm.8:9), pois somos Seu templo, no qual Ele habita (I Co.3:16,17; 6:19).

O que é o enchimento do Espírito

O enchimento do Espírito é a obra de Deus pela qual Ele enche os cristãos com Seu Espírito, concedendo maior capacitação para o ministério, aumento da santificação, adoração renovada, etc.

O enchimento do Espírito é obra soberana d’Ele, que sopra onde quer (Jo.3:8). Porém, é responsabilidade do cristão buscar esse enchimento: “deixem-se encher pelo Espírito” (NVI).

Ao contrário do batismo com o Espírito Santo, que acontece uma única vez, na conversão, o enchimento do Espírito é uma obra constante que acontece durante a vida cristã (At.2:4; 4:8, 31). Um cristão nunca ficará tão cheio do Espírito Santo nesta vida de forma que lhe seja impossível ser mais cheio ainda, pois somente Jesus recebeu o Espírito sem medida (Jo.3:34).

O enchimento do Espírito pode ser acompanhado por sinais e manifestações exteriores (At.2:1-4; 4:31) ou não (At.4:8).

Como ser cheio do Espírito

- Progredindo no conhecimento do Senhor (Os.6:3);

- Ouvindo a Palavra (At.10:44);

- Orando e buscando (Lc.11:23; At.1:14; 2:1-4; 4:31).

Conseqüências de ser cheio do Espírito

- Coragem e ousadia para anunciar a Palavra (At.4:31);

- Poder na pregação do evangelho (At.1:8; 2:41; I Co.2:4,5);

- Poder na oração (At.9:40);

- Poder para vencer as tentações e aumento da santidade (Lc.4:1; Gl.5:16);

- Poder para operar sinais e prodígios (At.2:43; 5:12; 6:8);

- Concessão e manifestação de dons espirituais (At.2:4; 10:44-46; 19:6);

- Adoração renovada (Ef.5:19,20);

- Fruto do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gl.5:22,23).

Bibliografia:

GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. Editora Vida Nova, cap.39.
 

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